Desde 01 de Março de 2022

A Métrica do Reencontro

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Venho em busca da paz que o peito suplica,
enquanto a alma transborda na quietude do instante,
passos errantes por espaços perdidos
no emaranhado de sombras que se escondem.

Vou caminhando por um mundo desbotado,
mas ainda fito o céu com o mesmo olhar antigo,
tecendo sonhos que aos poucos se desfazem
ao testar cada réstia de fé sentida.

As chaves não abrem minha alma,
mas encontro ressonância nos episódios que vivi,
e me reergo ao virar de cada capítulo
que traz a luz brilhante que esqueci.

Lentamente ouço ecos, sinto reencontros,
reinvento-me ao reencontrar o rumo oculto,
visito as alamedas da memória ferida,
suavizadas pelo tempo e pelas vivências.

Então sinto o calor do sol que tanto amo
e longamente refaço certezas esquecidas,
que no abraço da natureza se expandem
e iluminam a trajetória que revivo.

Pois nada se perde quando o verbo é recomeço:
desfaço as brumas, recolho os meus pedaços,
e na quietude do que sou, finalmente me encontro.

Vânia Moreira Diniz

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