Estou retornando ao caminho já trilhado,
preciso sentir o pulsar das antigas emoções.
Talvez a memória já não guarde o mapa exato
das decisões tomadas na vertigem dos dias,
folhas soltas de propósitos que ficaram suspensos.
Minha alma clama que não devo seguir adiante
à revelia daquela luz antiga — farol secreto
que outrora clareou meus passos remotos
e estancou as lágrimas que hoje, densas como marés,
teimam em transbordar do meu próprio peito.
Anseio decifrar o que se ocultou no silêncio
de um inconsciente então verde, musgo difuso,
que amadureceu pelo cinzel do viver,
sem prever o que o destino esculpia para mim
nas arestas e pedras afiadas do caminho.
Redescubro os transes que me afligiam,
mas quero garimpar os momentos livres de dor.
Que eu possa habitar o agora como terra firme,
para que, no labirinto de mim mesma, eu jamais me perca.
Vânia Moreira Diniz (Vânia Arraes Moreira)


