Desde 01 de Março de 2022

UMA FÁBULA DO BALAIO ONIRICALEIDOSCÓPICO…

Luiz Alberto Machado

Escapando aqui & ali & acolá, voo pelos mata-burros no mato sem cachorro, quando escapo de paredes surdas ao desabafo do que odeio para me salvar.

Tenho comigo os ecos hesitantes de Valery e relido bastante O manual de falhas de Ignácio de Loyola Brandão, a perseguir d’O tempo de vidro de Samarone Lima n’O angu de sangue de Marcelino Freire: um total de cenas descosidas & disparatadas, plasmadas dos sonhos de quem deu partida para uma chegada improvável, mais morto do que vivo e fazendo contas ainda com o ovo no cu da galinha roubada desde o quintal da infância.

Tenho comigo as rainhas da alma de Puchkin e ainda me assusto com o truísmo dum tatu peba, que me contou que o Boitatá se alimentava dos olhos dos mortos. O bicho gente é tão mais cruel, avalie.

Nem devia me assustar: é que tantas cenas não me fazem insensível e a indignação se revela porque esses tempos são outros e sigo adiante entre cristofascimos, transhumanos, indiferentes e ressentidos.

No frigir dos ovos, roubaram também meu sagrado silêncio. E quase esquecia do tanto Wittgenstein a me lembrar do de ouro, tagarela engolindo mosquitos, fumaças, desaforos. Santiago Kovadloff relembra na minha cabeça e mais o ruido triunfa invadindo portadentro tudo que sou.

Ora, ora.

Tinha mais dos gritos de Sylvia Plath ecoando nos ouvidos ao coração aniquilado pelos motores jactantes das engrenagens, enquanto os botões e teclas são acionadas para a festa dos algoritmos e a desgraça geral, numa barulhada esmagando vozes, sentimentos, emoções.

Nada não, confesso quase ex-humano a pulso, assim mesmo cantando a contar hestórias do que foi e virá…

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