Desde 01 de Março de 2022

MANGUABA & O OUTRO LADO DA EXISTÊNCIA…

Luiz Alberto Machado

Manguaba lagoa banhei-me lá
de cetro e coroa só pra reinar
no jugo momesco, com meu parentesco das águas do mar.

Manguaba nascente, vou navegar
até o poente do carnaval,
com vinco, adereço, sem ter endereço nem onde acabar.

Vai ser o batismo do bagre decente, de são e doente, sem cor ou rival,
Manguaba da gente banha docemente o povo de cá.

Manguaba que banha a terra, a semente que faz diferente outro dia igual,
Manguaba é que sente as dores da gente da Chã e do Pilar.

Lugaroutro, mais um dia, nada demais, parecia.

Não fosse a margem da lagoa o espetáculo, as águas transbordariam por meus olhos, peito inchado além das vontades e fruindo dos diferentes lugares e instantes dali.

Na verdade, me sentia como se renascesse em cada momento, do tamanho de tudo que via e na tarde crepuscular o amanhecer do dia se realizasse imorredouro – e fechasse os olhos para apreender o infinito, livre da morte e qualquer lembrança.

Dei-me a oportunidade de reviver a Ilha do Sol, com os fios de ouro dos dias estivais e a dançarina Dora de Cachoeiro do Itapemirim – a ressurreta Luz del Fuego, mãos e pernas no alvoroço da vida à flor d’água da Manguaba.

Durava pouco, mas deixava marcas perenes.

Por certo não haveria 19 de julho, muito menos a atroz vingança.

Jamais aconteceria e, no lugar de sua dança, uma fonte milagrosa brotaria para lavar as heresias civilizatórias e eu escaparia do presente inapreensível: a vida não se renderia coagida aos silêncios e olhares graves.

As horas não seriam agora, nem me perderia vencido pela tentação dos fins sinistros da vontade cega.

Tudo mais que impensável.

Quem perderia tempo, afinal, a ausência de erros não confirmaria quaisquer acertos, o difícil era ter de superá-los e distingui-los entre hediondos e fúteis.

Quem proscrito suspenso no quase, emoções represadas, sentimentos rasurados, fronteiras borradas, valendo-se de buracos, sem que precisasse aquilatar a analogia do infiel.

Viver é acordar dum sonho à beira do abismo. E viva! Até mais ver.

© Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.

Confira o frevo Manguaba acessando: https://www.youtube.com/watch?v=Nk7BfdZR7nE&list=PL6KM0c1hQxuDWv7VAJyrC8stNySltXo1a&index=22

& veja mais acessando: https://blogdotataritaritata.blogspot.com/

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