Luiz Alberto Machado
Na precisão do agora constato: caminhos, estradas, veredas. Encruzilhadas muitas. Pra lá, não sei; pra cá, muito menos. Ali tudo é ignoto; acolá, mais ainda.
Nunca temi o insólito, até me apraz, mas já me arrepiei em muitos carreirões por nada. A descoberta é o triunfo do aprendizado.
Vou, não vou: oscilo, titubeio. E passei a vida inteira barco sem leme ao sabor da sorte e brigando comigo mesmo.
Sempre quis ser melhor, maior e mais do que sou. Quando falhei nos meus intentos, uma guerra de fúria e prantos.
Muito agi duas três vezes sem pensar, ou pensei demais pra escolher: deu tudo errado. Ou eu não soube avaliar a alternativa ou não aprendi com o escolhido.
Quantas vezes eu fui e não devia ter ido.
Quantas vezes fiquei quando não podia ter ficado.
Sempre tive pouca paciência e mandei ver, depois a certidão da bobagem feita no meio de toda evanescência.
Rumo ao leste, seguia. E mesmo condenado me castigava doutras quantas, sempre à revelia.
Quantas bifurcações eu encarei a todo instante.
Quantas vezes lavei o peito com o choro do desapontamento e do fracasso.
Quantas vezes esmurrei os ventos e as paredes no cúmulo dos azarados, enquanto morria pelos êxitos alheios.
Quanto quis ter e na hora de ser, não soube o que fazer.
Quantas vezes passageiro à deriva dos dissabores eu sonhava que ia dar certo. E deu, só não entendia bem tudo porque não tinha aprendido a discernir entre o certo e o errado de verdade.
Para mim só era certo o que meu desejo egoísta impunha e perdia a chance de aprender.
Quanto tempo perdi com caprichos, expectativas, idealizações, quando, na verdade, o coração não teve maturidade para aprender que a dúvida e as escolhas são as formas de estarmos vivos, protagonizando a própria existência.
Quanto me desgastei ao ímpeto emocional, findando desmotivado, exaurido, lastimável.
Não sabia que cada trilha possuía um ônus, muito menos que era pra assumir todos os riscos e oportunidades da seleção feita.
Não havia aprendido a lição daquele momento porque o desejo do umbigo estava acima de tudo. E perdia a oportunidade de ter vivido um momento que certamente seria maravilhoso e que assim não foi só porque não se apresentava da forma ambicionada.
Não sabia do hoje construído pelo ontem e que sou agora pro amanhã.
Não sabia, além da tempestade negra, o Sol brilhava. E o vejo agora mesmo sob o maior toró que desagua escurecendo tudo.
Não sabia, nada é fatal ou fruto do acaso.
A culpa é só minha se hesitei, hoje me aventuro a sorrir.
Devia ter seguido a fagulha inspiradora e ter feito os ajustes às circunstâncias mutáveis. Não fiz, agora faço. Nunca é tarde. Aprendo e reaprendo. A vida é como o corpo da mulher amada: muitos caminhos, todas as possibilidades.
Sigo a intuição e o meu pensamento é salubre com o sorriso do Sol na vida.
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