Esta é a melhor fase de minha existência. Não sinto os embates da vida com a violência de outrora; as palavras, proferidas consciente ou inconscientemente com dureza, já não me ferem como no passado. Apesar de ter caminhado ininterruptamente por tantos anos, sinto que posso chegar bem perto do horizonte e admirá-lo em todo o seu esplendor.
As lágrimas ainda vertem, mas não deixam cicatrizes como antigamente, e os risos inundam minha alma, tornando-me capaz de apreciar o brilho de cada olhar e a beleza intrínseca da humanidade.
Finalmente, acolho as críticas e minhas próprias limitações sem mágoas, com o coração apaziguado. O tempo transmutou minha suscetibilidade em tolerância. Não considero isso uma virtude, mas sim a consciência de que a vida flui, legando-me um precioso aprendizado.
A pressa de alcançar o futuro e a nostalgia do passado, antes âncoras pesadas, dissolveram-se na brisa suave do agora.
Não há mais a urgência ansiosa de “chegar lá”, pois a jornada revelou-se o próprio destino. Percebi que os dias não são meros degraus em direção a um objetivo distante, mas telas únicas onde a existência pinta seus melhores momentos.
Por isso, aprecio o café da manhã, o silêncio da noite e a oportunidade da gentileza.
O sucesso não é medido por conquistas externas, mas pela profundidade da minha gratidão em cada respiração. A verdadeira liberdade é viver sem dívidas com o amanhã ou com o ontem.
Dessa forma, compreendo que a consciência da finitude é a minha maior mestra.
Agradeço não pelas facilidades, mas pela metamorfose: de um espírito frágil para um ser que recebe as adversidades com a mesma dignidade com que celebra as alegrias.
É nesta aceitação grata do processo que encontro a minha inquestionável felicidade.
Vânia Diniz – 16/01/2026



