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Manual da minha existência

Estou muito longe do que um dia imaginei. Nas páginas do meu caderno, traço as primeiras linhas onde registro as lembranças que ficaram para trás.

Cada recordação emociona meu coração com as leituras da minha própria vida — algumas escritas com os risos francos da felicidade, outras moldadas pela dor difícil de perder pessoas queridas que se foram.

Por isso, decidi dar um tempo a mim mesma. Preciso de um período sabático, um recolhimento para escrever o manual da minha existência. Quero mergulhar na profundidade precisa para ressignificar conceitos e caminhar sem a correria desmedida destes anos pós-pandemia.

Aquele período foi difícil, doloroso, amargo. Pensei que viria um momento de reflexões mais úteis e de uma calma essencial. No entanto, quase nada mudou; os propósitos perderam-se.

Era o momento de compreendermos a nossa finitude. Mas o mundo continua a viver como se a vida fosse eterna, onde o mais importante parece ser o ter e não o ser.

Preciso, agora, resgatar escolhas que possam suplantar tudo o que tenho sofrido. Busco um lenitivo capaz de me devolver a paz verdadeira. Só assim poderei expor o aprendizado que me fará sentir inteira outra vez, construindo uma presença firme para os dias futuros que virão — e que nem sempre serão fáceis, mas serão meus.
Vânia Moreira Diniz – 29/06/2026

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