Aquela casa grande em Copacabana,
com suas portas abertas para o vento,
era o palco de uma vida soberana,
onde o tempo era feito de momento.
Menina que corria pelo chão,
entre brincadeiras infantis e poesia,
mal sabia que trazia na mão
o destino que o verso teceria.
O mar ali perto, o sol no olhar,
as primeiras linhas escritas no papel…
Tudo era motivo para inventar
um pedaço de chão, um toque de céu.
Hoje o caderno guarda esse clamor,
não para o mundo ver ou aplaudir,
mas para lembrar que o primeiro amor
foi a escrita que me fez existir.
Vânia Moreira Diniz (Vânia Arraes Moreira)


