Há algum tempo acalentava o desejo de registrar, com o próprio punho, poesias inspiradas no cotidiano e naquelas lembranças guardadas desde os meus sete anos — a idade em que o mundo se iluminou quando descobri o poder de ler e escrever. Essa vontade encontrou a oportunidade perfeita quando recebi um presente maravilhoso da minha secretária, Sabrina Silva: um caderno encorpado, com o formato acolhedor de uma agenda e, para minha total surpresa, estampado com a minha foto na capa.
Fiquei encantada com tanto carinho e com a exatidão do gesto, pois era exatamente o que eu procurava. Nestas páginas, reunirei em tinta e afeto os versos que nascerem das recordações mais profundas da minha jornada. É uma forma de resgatar o passado, desde a infância até a adolescência, expressando minha gratidão a todas as pessoas que iluminaram o meu caminho. Lembro-me, com especial ternura, de quando meu avô reuniu meus primeiros escritos infantis e encomendou ilustrações para eles, lançando-os orgulhosamente no mesmo dia em que publicava uma de suas próprias obras.
Este espaço manuscrito será o ponto de partida para poesias que, futuramente, também compartilharei no mundo digital com a família e os amigos. Meu coração transborda emoção diante deste momento da minha trajetória literária. Este caderno é um amuleto que preencherei com o melhor da minha vida remota; a cada verso impresso na folha, estará também um pedaço da minha alma, celebrando a construção de um trabalho que eterniza instantes tão especiais.
O ato de costurar o ontem e o hoje com a ponta da caneta é, acima de tudo, um reencontro comigo mesma. Convido cada um de vocês, meus queridos amigos e amigas, a folhearem estas páginas não apenas como leitores, mas como testemunhas dessa ciranda de memórias. Que estes versos antigos, agora renascidos, possam tocar o coração de vocês com a mesma luz que um dia me despertou para a beleza das palavras.
Vânia Moreira Diniz


