Luiz Alberto Machado
Havia o dia e isso já era o que podia ocorrer de melhor. Alguém não viu e era eu, as coisas todas aconteciam ao mesmo tempo e a todo momento: aqui, ali, acolá a luz acendeu, a noite se foi, um grão germinou, o mato floresceu, o rio a correr, a flor a brotar, o bicho escondeu, segundos que se vão, minutos sem contas.
O olho piscou, o instante se foi e escorreu entre os dedos, sem se dar conta o que a água inundou, o que mudou de lugar ou pereceu, o que o tempo engoliu ou espalhou, o que sumiu ou apareceu, o tanto de difuso que esborra e não dá para abarcar: chiados, estalidos, pegadas, idas e voltas.
Assim se processou e a gente percebeu uma coisa de cada vez, nem dava para saber de tantos, alhures.
Muitas coisas mas muitas mesmo aconteciam ao nosso redor, espontaneamente, imaginava lá longe, quanto mais distante. Para quem sabia de fora para dentro, quanto de suficiente dará dimensão a coligir adequadamente de todos os lados e direções, de todas as alturas e distâncias, qual hora certa ou exata para a decisão.
Ouviu-se: aqui se fez, aqui se pagou; olho por olho, dente por dente.
Ah, a distração e uma outra cena entre outras nem se percebeu. Quem há de escapar entre coisas e seres o imponderável, o inefável, o intangível.
Olhou e podia não ver; ouvia e podia não ouvir, tocava e não sentia de cheiros, avisos, sabores. Mesmo de olhos fechados, até o que se tinha por inexistente. Se caiu ou tropeçou, tudo já foi, passou; se atrasou, lá vinha outra vez. Às costas, não sei.
De dentro para fora tudo é verdadeiro, restava aprender o desconhecido, soltar as rédeas e voar duas polegadas acima do solo: o que posso viver além do vivido.
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