Atravesso um momento de solitude. Não se trata de um isolamento vazio, mas de um tempo necessário para mim, mesmo em meio ao trabalho intenso. Tenho reservado as noites para desfrutar da minha própria companhia, distante dos eventos ruidosos, da exposição constante e da obrigatoriedade de estar sempre presente.
Se os dias já são ativos, necessito destas horas para mergulhar numa calma que, antes, não parecia fazer parte da minha essência. Houve um tempo em que as horas tardias, os restaurantes e as reuniões compunham uma rotina vibrante. Cresci em meio à efervescência e pensei que jamais seria diferente. Mas a vida não é linear; as marés mudam e novas ondas são necessárias à nossa existência.
Curiosamente, as noites sempre foram minha preferência, mesmo na agitação de outrora. Sempre amei as madrugadas e, agora, ao me reinventar, é nelas que continuo encontrando encanto e fascínio.
Sigo caminhando, buscando aplacar a ansiedade e intensificar a conexão com o meu próprio ser. O objetivo é encontrar aquela paz inadiável que tantas vezes nos escapa — não apenas pelo tumulto externo, mas porque nós mesmos sabotamos nossa plenitude. Muitas vezes, evitamos desconstruir conceitos falsos ou corrigir passos, preferindo a zona de conforto a nos reestruturarmos.
Nesse processo, percebo que o silêncio não é ausência, mas uma presença que eu precisava convidar a entrar. É na quietude, longe dos aplausos e das exigências sociais, que as máscaras caem e a essência, muitas vezes sufocada pela pressa, finalmente respira. Entender a si mesmo exige coragem para ouvir o que o barulho do dia a dia esconde.
O que almejo é a tranquilidade real, aquela que nasce de mudanças concretas e que a pressa do cotidiano não nos permite alcançar.
É exatamente isso que procuro.
Vânia Moreira Diniz



