Recentemente, tenho revisitado lembranças que, com certeza, estavam armazenadas no meu subconsciente. De repente, recordei-me de uma passagem de quando eu tinha apenas 11 anos. Ao evocar aquele dia, tudo se revestiu de um imenso carinho.
Outubro é, de fato, um mês belíssimo. O sol resplandece, e o mundo parece se inundar de luz e alegria. O azul celeste se exibe em uma beleza transparente e magnífica, e as noites chegam de mansinho, pintando nossos olhos e celebrando a vida.
Naquela época, por incrível que pareça, eu adorava assistir a partidas de futebol – um esporte que hoje já não me cativa. Sempre fui torcedora do Fluminense, paixão que mantenho até hoje, e frequentei o clube, no Bairro de Laranjeiras, Rio de Janeiro, durante toda a minha vida. Lembro-me de estar à procura de um broche (ou ‘escudo’) pequeno, mas sofisticado, do time para adornar minhas blusas, mesmo com minha mãe dizendo que eu não o encontraria exatamente como desejava.
Naquele dia de festa, a casa estava repleta de convidados; eu havia ganhado presentes maravilhosos, a meninada brincava animadamente, e meu bolo de aniversário estava deslumbrante. Meu pai já havia entregado o presente dele, mas se aproximou de mim e anunciou que tinha uma surpresa especial. Era um embrulho minúsculo, e eu não fazia a menor ideia do seu conteúdo, mas ele insistiu que eu só poderia abri-lo depois de apagar as velinhas. Fiquei extremamente curiosa e ansiosa para descobrir o mistério.
Assim que terminamos de cantar os parabéns, meu pai me autorizou a abri-lo. Com o coração em festa, rasguei o papel e, ao ver o que havia na caixinha, meus olhos marejaram: era um broche deslumbrante, todo dourado, com o emblema do Fluminense ao centro, e de um tamanho perfeitamente delicado para ser usado com qualquer roupa. Fiquei extasiada de alegria e todo o resto perdeu a importância. Apaixonei-me imediatamente por aquele mimo, vibrando de vontade de usá-lo o quanto antes.
Soube, mais tarde, que ele havia mandado confeccionar a peça, que surgiu no meu aniversário com o carinho simbolizado naquele pequeno broche.” Um fato singelo, mas inesquecível.
Vânia Moreira Diniz
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