Vivemos em meio a ciclos que nos impelem a refletir sobre a finitude e a lamentar muitos equívocos. Erros que poderiam ser evitados e conflitos que não existiriam. Mesmo tardiamente, anseio por compreender esse redemoinho que nos faz viver em ondas de insegurança.
Alimento-me de atitudes que não recebi, mas que teriam contribuído profundamente para esta jornada. Não busco provar nada; quero apenas trilhar com maior firmeza. Hoje, posso me dar ao luxo de me dedicar a um trabalho do qual não espero mais recompensas, desejando apenas executá-lo com a mesma fé dos meus sete anos.
Condiciono-me, acuso-me e ressignifico o ideal que não compreendia na infância e que me incutia a certeza de que continuaria mesmo a despeito de decepções. Por ele, abandonei tudo que aprendi de uma maneira tão profunda quanto necessária.
Não sou eu quem procuro as palavras; são elas que me alcançam, como se eu tivesse um anjo oculto a me sussurrar o que devo registrar. Estou quase no fecho de minhas etapas e preciso chegar rapidamente ao infinito do que sempre sonhei.
É com plena convicção que ainda desejo transbordar naquilo que necessito concretizar, pois corro o risco de que minha viagem derradeira chegue antes do que me propus.
Já cheguei a uma fase em que não me interessa receber condecorações, mas sim acolher as palavras que me chegam e me impulsionam a escrevê-las até o último instante de minha existência.
O fim se aproxima célere, e eu, no mesmo ritmo, avanço com afinco para concluir o que iniciei. Tenho certeza de que corro no mesmo embalo em que a finitude me acompanha. Preciso registrá-las. E, assim, terei alcançado a verdadeira realização de meus mais pungentes ideais.
Vânia Moreira Diniz – 09-10-2025



