Desde 01 de Março de 2022

Nas derradeiras horas da madrugada, quando o dia teimava em raiar, fui invadida por uma paz renovada. Acredito que essa sensação de serenidade absoluta, tão esquiva nos dias de hoje, seja a mais sublime que um ser humano pode experimentar.

Durante a semana que se arrastou, uma angústia implacável me dominou, atiçando uma ansiedade que me impedia de encontrar o equilíbrio. Pensamentos insistentes me assaltavam, com a fúria de um furacão, ultrapassando barreiras e atormentando meu coração.

Até mesmo lembranças da infância me perseguiam, pois, como me disse um psicólogo amigo, “resistir às memórias é inútil, já que elas podem ser a chave para o presente”.

Eu sabia que a dor que me afligia tinha raízes no presente, mas encontrava ecos na infância, impedindo a cura. Era preciso extirpar esses fragmentos incrustados em minha alma.

E assim, privada do apoio terapêutico, busquei me reencontrar, despindo-me de máscaras para que meu autoconhecimento emergisse em toda a sua complexidade.

Habituei-me a trilhar os caminhos do autoconhecimento, mas foi naquele momento, com o amanhecer tingindo o céu, que percebi algo oculto por anos de autodefesa.

E então, a razão do meu tormento se revelou, ainda que em lampejos de intuição. Em meio à adversidade, experimentei a paz genuína, reconhecendo-a por sua raridade.

Descobri que a serenidade pode florescer mesmo em meio à tristeza e à dor. E ela se instalou em mim no instante em que resgatei uma cena da minha infância.

A partir daí, mergulhei em um mar de recordações, revivendo os momentos felizes que teceram minha vida, as pessoas que me amaram intensamente e aquelas que permanecem ao meu lado, mesmo nos momentos de turbulência.

Agora, me restava cultivar a fé, buscar o auxílio da minha terapeuta para confirmar a veracidade dessa paz e rogar a Deus que ela perdurasse, acolhedora como se instalara.

Vânia Moreira Diniz – 15-09-2025

Conteúdo atualizado pela equipe Essenciar

Compartilhar Artigo:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn
RELACIONADOS

Você também pode gostar

vania-moreiradiniz-artigo-poesias

A Métrica do Reencontro

Venho em busca da paz que o peito suplica,enquanto a alma transborda na quietude do instante,passos errantes por espaços perdidosno emaranhado de sombras que se

Resgate Essencial

Tudo estava muito escuro. Eu não conseguia enxergar nada ao meu redor. Percebia apenas ruídos indistintos no ar — e até mesmo esse leve rumor

03) Retorno ao Caminho Atravessado

Estou retornando ao caminho já trilhado,preciso sentir o pulsar das antigas emoções.Talvez a memória já não guarde o mapa exatodas decisões tomadas na vertigem dos