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As Lágrimas do Tempo

Hoje, a emoção tomou conta de mim. Chorei copiosamente pelos anos que se esvaíram, pelas lições que a vida me deu, pelas experiências que acumulei e pela transformação que senti em meu ser. Lamentei tudo que se foi: a terra natal que se modificou, a chegada à capital que desvendei e até as alegrias que vivenciei em um mundo que já não é o mesmo.

Essas lágrimas não eram de dor; brotavam de meus olhos, percorrendo a pele que o sol de Copacabana outrora beijara. Chorei intensamente, saudosa das brincadeiras e da inocência, dos monumentos que me moldavam, tornando-me mais humana. Eu olhava para a imensidão, vislumbrando a promessa de sonhos realizados, e ria com um coração que explodia de confiança.

As lágrimas voltaram, enquanto eu contemplava a evolução que maltratou tantas coisas que amei, revelou pesadelos que se tornariam realidade e apagou o carinho que me tocava em momentos de tênues acontecimentos de bondade, pairando sobre meu coração agora dolorido.

Novamente, as lágrimas escorreram por tudo que não aprendi, pelos conselhos que ignorei, pelas palavras ásperas que proferi, pelas expectativas que me iludiram, pela cidade onde nasci e pelos enganos que cometi. As lágrimas desciam como uma fonte inesgotável, ofuscando a beleza que sempre admirei, a espontaneidade que perdi, a confiança que me traiu e a dor que penetrou em minha alma quando tudo parecia transparente e colorido, e que agora vejo tão cinza e devastado.

Chorei intensamente ao visualizar o que não veio, o portão da casa onde cresci, as plantas que brotavam exuberantes e o quintal onde brincava, sem perceber quão rápido e passageiro tudo era. As lágrimas desciam em torrente, purificando a injustiça, o julgamento precipitado, as falsas declarações, as frases risonhas e enganosas, e a fria indiferença de um mundo inexplorado.

Quando as enxuguei, uma suavidade me dominou. E, ainda assim, acreditei que o amor, afinal, existia e poderia ser real, subsistindo humanidade e perdão, compartilhamento de ideais e aperfeiçoamento. E, mesmo assim, as lágrimas permaneceram, gota a gota, transformando meu mundo e fortalecendo minha crença na idealização. Pelo menos!

Vânia Moreira Diniz – 08-07-2025

Conteúdo atualizado pela equipe Essenciar

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