Desde 01 de Março de 2022

Validação

Creio que, na contemporaneidade, esta seja uma das palavras mais pronunciadas. Muitos, especialmente aqueles que lidam diretamente com o público, utilizam-na na ânsia de reafirmar a relevância de seu ofício. No entanto, há um paradoxo: a verdadeira confiança em si mesmo deveria dispensar a necessidade de ser constantemente “validada”.
Se agimos em consonância com nossos ideais, de forma consciente e fiel ao que acreditamos ser verdadeiro, a própria ação já carrega sua legitimidade. Quando a convicção reside no interior, a opinião alheia perde o peso de sentença. Quem sustenta um modo de agir firme e íntegro encontra a validade em sua própria essência, sem precisar, a cada passo, clamar por confirmação.
Atravessamos um capítulo árduo de nossa história. Nossa sociedade carece de apoio, mas, sobretudo, de segurança em seus propósitos. A conturbação é visível: a paciência escasseia e a agressividade ganha espaço. O amor, embora debatido à exaustão, ainda clama por uma compreensão mais profunda de sua essência. Talvez seja justamente esse entendimento o que nos falta para alcançar a tão sonhada paz.
Discutimos aprovação em ângulos fúteis da existência, quando o que realmente importa — e o que nos tornaria válidos de fato — seria a união, a generosidade e a compaixão. Isso só se concretizará quando pudermos olhar para o horizonte e reconhecer nele a serenidade.
Enquanto não houver esperança genuína e não enxergarmos o outro como uma extensão de nós mesmos, nossa visão de mundo permanecerá turva. Somente ao mudarmos esse olhar entenderemos o verdadeiro sentido da validação. Estaremos prontos, então, para agir com a segurança do amanhã, direcionando as novas gerações não para a dependência do aplauso, mas para a confiança no ser.
Vamos reconstruir nosso universo. E, assim, o firmamento se manterá belo e persistentemente iluminado.
Vânia Moreira Diniz

Compartilhar Artigo:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn
RELACIONADOS

Você também pode gostar

SIMULACROS

Luiz Alberto Machado Falando comigo: sou umbigo nas paredes, todos & ninguém – o trâmite da solidão. Cansaço, murro em pontas de facas: o bloco

07) Couraças de Infância

Há portas no porão da memória que permanecem trancadas por décadas, até que uma chave invisível as abre de repente. Foi o que me aconteceu