Desde 01 de Março de 2022

O Teatro das Máscaras e a Busca pelo Sentido

Não encontro, neste momento, a fórmula exata para que o mundo se liberte da ansiedade que congestiona a alma humana de forma tão intensa — e suspeito que tal receita jamais existirá, pois a existência é tecida por desencontros inesperados. No dia em que conseguirmos habitar o momento presente, despidos de expectativas para o porvir e curados dos traumas do passado, abraçaremos essa realidade.

Mas como ultrapassar essa barreira? Na verdade, a finitude dos nossos dias parece ser a gênese desse fenômeno. É nesse vácuo que a angústia se instala, pois desconhecemos — e jamais saberemos em vida — o que pulsa além de nós e o que nos aguarda nos portais da eternidade.

Por isso, não me convencem os que encenam uma felicidade fulgurante nas redes sociais, ostentando bens materiais e exibindo viagens mirabolantes. Tenho a certeza de que a alegria deles é uma ilusão. Trata-se apenas de um escudo que encontram para desertar da realidade; afinal, o uso dessas máscaras sociais é contraproducente em todas as suas facetas.

O mapa mais seguro para alcançar uma serenidade duradoura é caminhar com o propósito de ser, a cada aurora, alguém melhor, mais útil e empático. Não é um percurso simples, até porque a nossa própria natureza é imperfeita, mas, sem dúvida, cruzamos este plano para cumprir uma missão. Embora o sentido absoluto da existência nos escape, creio que, entre tantas razões, viemos para desempenhar um papel singular.

Atualmente, o planeta sangra em divisões tão profundas que, às vezes, parece utópico prever se a paz — que deveria ser a nossa verdadeira felicidade — conseguirá fincar raízes nesta plataforma em que habitamos. Se um dia isso acontecer, assistiremos à apoteose transformadora de um mundo que, finalmente, despertou esplêndido.
Vânia Moreira Diniz

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