O relógio do mundo girou, e com ele, a saudade se tornou minha sombra, mais intensa à medida que o Dia dos Pais se aproxima. Revivo a casa da minha juventude, onde a vida transbordava entre as paredes que abrigavam meus pais e irmãos. A rua era um coro de sons e felicidade, e à noite, eu me entregava ao chão frio para contemplar o céu estrelado que tanto amava.
Naquela época, eu desejava que os dias corressem, e cada emoção era cuidadosamente registrada em meu diário. Agora, a distância dos anos me aperta o peito, e a falta daqueles que amei ecoa dolorosamente. Como eu queria ter saboreado mais aqueles instantes de união e discórdia, de passeios e risadas, de uma vida colorida que agora parece tão distante.
A casa, outrora cheia de vida, os estudos, os livros que eram presentes do meu pai, tudo isso compunha a melodia de dias especiais. A vida era uma celebração, unida por canções e pelo som do violão. Amigos enchiam o lar de alegria, mas hoje, o coração dói ao recordar aqueles tempos vibrantes.
Lembro-me do amanhecer, quando o sol dourado anunciava um novo dia cheio de promessas. E agora, sinto uma dor imensa que marca o ritmo do meu coração. A rua, a escola, os amigos, os professores… todos fazem parte de uma tapeçaria de memórias. Meus pais e irmãos que se foram deixaram um vazio, e me pergunto por que não percebemos que o tempo era tão veloz.
Queria poder expressar minha gratidão por cada momento compartilhado, pelas palavras doces, pelos conselhos, e pela jornada que nos conduziu a um futuro repleto de saudades.
Vânia Moreira Diniz



