Desde 01 de Março de 2022

O peso da maldade e a coragem de seguir

Vânia Moreira Diniz

Há algumas semanas, a vida me feriu profundamente. Sempre encontrei alegria em estender a mão a quem caminhava por trilhas pedregosas; contudo, o golpe que recebi agora tem me machucado intensamente, alterando, ao menos por enquanto, a minha vida financeira e emocional. Mais do que o prejuízo material, o mais triste e doloroso foi a constatação da maldade de alguém em quem eu depositava plena crença e afeto. Tenho lutado para superar essa crise, que me obriga a recorrer com mais frequência ao psiquiatra e à terapeuta.

É verdade que a existência impõe suas tristezas, mas ainda não consigo sorrir com a mesma intensidade de antes. Depois da perda de entes queridos, este foi o episódio mais doloroso que enfrentei. O que mais impressiona é que não conhecia essa pessoa profundamente; confiei nela logo no primeiro instante, criei laços de carinho e desejei ardentemente auxiliá-la. Abri as portas de minha casa — onde ela inclusive me ajudava a cuidar do lar — com total serenidade, convicta de que merecia tal acolhida. O resultado tem sido um sofrimento prolongado, uma ferida inédita em minha trajetória.

Vivencio, hoje, um verdadeiro vale de lágrimas. Decido compartilhar esta declaração porque, como escritora, sempre me desnudei inteira para leitores e amigos. Aproveito esta longa travessia para traduzir sentimentos genuínos que experimentei, estritamente fiéis à verdade — na esperança de que essa partilha possa amparar quem venha a ler.

Recolhi-me parcialmente durante esta temporada para digerir com mais liberdade a dor que me consome. Não guardo nenhum ódio; desejo apenas que essa pessoa aprenda, ao longo da vida, o real valor da ética e do caráter, compreendendo que não se deve ferir quem só lhe quis bem. Perdoo, mas escolho a distância. Neste momento, meu profundo agradecimento volta-se para minhas filhas e para os queridos amigos que me sustentam, ajudando-me a vislumbrar a luz que, por meses, ameaçou tingir-se de cinza. Confio em Deus e agradeço a força concedida nestas semanas longas de desamor, sustentadas pela fé.

Vânia Moreira Diniz

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