Nasci em outubro, sob o sol generoso de uma primavera que pedia por cores e horizontes abertos. Cresci ouvindo o rumor do mundo e aprendendo que a alegria não é um estado fácil, mas uma conquista diária. Entre as lutas necessárias, os dias de silêncio e a coragem exigida para superar cada obstáculo, mantive firme a convicção de buscar meus objetivos. Hoje, sou feita desse pulso veemente que desafia as sombras e, em cada amanhecer, me renova por inteira.Houve dias em que a estrada se fez íngreme, e o peso do mundo tentou desacelerar o passo ou emudecer a voz. Nesses instantes de silêncio e prova, foi preciso cavar fundo na alma para encontrar a têmpera, transformando a fadiga em combustível e a incerteza em foco. Cada obstáculo superado não foi apenas uma barreira vencida, mas uma camada a mais de sol que decidi incorporar à minha própria história, provando a mim mesma que a verdadeira força se lapida na travessia.Nessa longa viagem entre a folha em branco e a concretude dos sonhos, aprendi a custodiar a arte de resistir com delicadeza. Não se trata apenas de acumular primaveras, mas de honrar cada cicatriz como um relevo de mapa, onde as marcas do tempo se convertem em sabedoria e as perdas, em solo fértil para novas sementes.E, ao caminhar, compreendi que a obra mais bonita que construímos é a nossa própria vida, tecida com o fio invisível da memória e da entrega. Cada laço que cultivei, cada abraço que sustentou meus passos e cada verso que deixei ecoar pelo tempo são a prova viva de que nunca estive só na tarefa de existir, pois carrego em mim o reflexo de todos aqueles que amei e que me ajudaram a sustentar a luz.Por isso, quando olho para trás e vejo o caminho percorrido, reconheço que cada palavra escrita foi um ato de sobrevivência e de resgate. Continuo aqui: inteira, pulsante e dona do meu próprio destino, pronta para desbravar o inexplorado e, em cada amanhecer, nascer de novo.
Vânia Moreira Diniz


