Luiz Alberto Machado
Quero apenas um copo d’água!
Um copo d’água apenas e suas mãos.
Apesar de saudável, fui examinado e a minha doença me condenou: fui declarado imundo e me lançaram por fim fora do arraial. Condenado, fui e açoitado por todos. Estrangeiro eu sou. E me levaram o futuro. E me roubaram o sono e previ a insônia. Pudera.
Tenho a casa e a glória no vento, meus bolsos estão todos vazios.
Fui até o fundo do inferno e estou armado de luz. Anjo nenhum me avisou ou acrescenta o que perco, Quixote dos meus ideais.
A solidão me eletrocuta.
Sou estrangeiro aqui.
Por vontade própria optei pela solidão.
Vou só, o coração a bombordo e lutando contra meus próprios moinhos de vento.
Na minha morte me recusarão o chão e não terei nada, serei feliz. Deixo ao mundo o meu caleidoscópio com todas as lembranças dos sonhos a coroar meu encontro comigo mesmo nos jardins do Éden, assim espero a ameaça das chamas do tridente.
Enquanto vou só, nenhum rosário para desfiar nem nada para confessar.
Não estou arrependido e nem quero ser perdoado.
Nenhum céu me salvará, nem quero, só a solidão…
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