Desde 01 de Março de 2022

QUEM VAI PRA CHUVA É PRA SE MOLHAR

Luiz Alberto Machado

A ordem é competir! Está pronto? E no alheio é cotovelo na venta, calcanhar na passada, bico nos possuídos, afinal do pescoço pra baixo tudo é canela. Vale tudo: rasteira, cama de gato, toque da vaca, perfídia e enrolação. Torcer pela queda dos outros e, se possível, apelar pra sorte pra dar tudo certo e que o azar só ronde o terreno dos adversários. Acima de tudo que vença sozinho, cooperar só pro podium e cada qual que cuide de si que o jogo é de campeonato! Alcançar o apogeu seja de que forma for, as armas são muitas, recursos diversos e em detrimento de todos, pro gozo da glória exclusiva. Do contrário, vai ter muito aproveitador querendo provar do repasto com seu dedo atrevido, nada que uma boa descompostura não coloque os adiantados no seu devido lugar: na plateia. As benesses todas que sejam suas, os derrotados que morram de inveja. Tirar o maior proveito da ocasião que ninguém é besta, se correr, tem quem corra atrás; se ficar, os sabidos chegam na frente. Não há tempo a perder: é pegar o máximo que puder e o que sobrar fica pros que vierem depois – certa dose de generosidade faz parte da etiqueta do politicamente correto, avalie. Quando chegar o fim do ano, depois de todos os tropeços, tabefes e celeumas, uma lembrancinha pros desafetos e tudo volta pros conformes. Qualquer aresta, um sorriso com aperto de mão: foi só um jogo jogado; se causou prejuízo a quem quer seja, pede-se perdão; se sobrou intrigados, arruma uma confraternização e as maledicências ficam pro ano que vem. O que importa é que tudo esteja resolvido, pelo menos por enquanto. Amanhã será outro dia e se encara tudo de novo. Pros recalcados uma brincadeirinha de faz de conta tira tudo a limpo, nada demais uma gentileza mínima que seja. Pros achegados, parabéns e tapinhas nas costas, sempre cai bem. Contanto que finde feliz e em paz, se puder, claro; mesmo que tudo recomece num deixa pra lá em pé de guerra, levando na maciota e quando o saco estiver esborrando, bota os dentes rangendo de raiva, mãos prontas pra estapear qualquer um que atravesse o caminho, coragem em dia pra levar tudo nos peitos e seja lá o que Deus quiser. E assim de ano em ano, segurando as pontas, tapiando um e outro, enrolando como pode, escapando e a vida levada aos trancos e barrancos. O negócio é livrar-se daqueles pantins dos chatos de galocha e findar sozinho no bem-bom gozando o privilégio de sabido premiado. Aplausos. Mas, torça para não ter um troço no meio do deleite, ou um tombo do infortúnio na horagá, vai que tenha de precisar duma mão supostamente amiga e, no revide, pode não haver ninguém pra socorro. Já pensou? Até mais ver.

© Luiz Alberto Machado.

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