Desde 01 de Março de 2022

Contemplação

Retornava para casa hoje, imersa em pensamentos que me afastavam da própria consciência. Subitamente, meus olhos se elevaram para o céu de Brasília, que se estendia majestosamente através do para-brisa. A vastidão celeste, encantadora em qualquer lugar, revela-se especialmente esplêndida nos dias ensolarados da capital federal. Recordei-me dessa beleza singular desde minha primeira visita à cidade.
Contemplando o céu hoje, fui transportada àquela sensação longínqua, onde o horizonte parecia tocar o solo. Meu coração transbordou em gratidão ao Criador, por me conceder a dádiva de testemunhar tal espetáculo sob a luz vibrante do sol. A necessidade de agradecer se impôs, mesmo diante da angústia que me consumia.
Meus olhos se umedeceram, mas a grandiosidade do momento dissipou qualquer vestígio de negatividade. As maravilhas da natureza sempre exerceram um fascínio sobre mim, e hoje, a gratidão me inundou diante daquela magia que se revelava tão próxima. Em um mundo marcado pelo desapego, violência, insensibilidade, arrogância e covardia, a beleza do céu se destacava como um oásis.
Agradeci por ter nascido e por ainda desfrutar desse oásis de magnificência, acessível a todos nós, hóspedes privilegiados deste planeta glorioso.
Foi essa beleza que me consolou, dissipando momentaneamente os desafios constantes e a sensação de impotência que me assaltava. Aquele instante de insegurança, que me dominara, se desfez diante da constatação de que eu estava sendo injusta comigo mesma. Minha alma se acalmou, encontrando na contemplação da natureza a terapia mais fascinante que poderia existir.
Vânia Diniz

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