Lago tranquilo e benfazejo,
nas atribulações esquecidos,
nas horas de desejo contemplados,
e o rio em borbotões incendiado
em seu fluxo volumoso.
Olhava o rio grande e ligeiro,
saltitante que corria procurando
o desaguar tranquilizante,
para novamente recomeçar vibrante.
O rio eu depressa acompanhava,
queria seu percurso admirar,
observando o que leva em seu trajeto,
ou a hora em que repousa intrépido.
Mas então esqueci o quanto é imutável,
soberano, rápido e impávido,
quando as águas deslizam engolfadas
e ele transbordante de segurança,
se esvai despejando sua presa.
Procurei com ele repetir o que fazia,
mas imponente nem me olhava
e ofendida e triste fui embora
procurando algo mais suave.
Mirei-me no plácido e lento lago
que refletia com carinho minha imagem,
na doce fusão das águas ondeando elegantes
e senti a paz que precisava há longo tempo.
Rios e lagos que se fundem,
um altivo e impertinente,
o outro afetuoso e meigo
e não consegui saber
qual deles o mais importante.
Na natureza tudo é capaz
o universo lindo e inescrutável
quero com os dois conviver
e amá-los cada vez mais.
Vânia Moreira Diniz



