Luiz Alberto Machado

Entre as coisas que aprecio fazer nas horas de ócio é olhar pra trás e mangar dos meus disparates.
Desde os memoráveis tempos aborrecentes de interrogação ambulante que sou até hoje, graças à vida, de rimar nada com coisa alguma, de não ambicionar ser artista de TV ou capa de revista – embora andasse todo cheio das pregas, venta empinada e sempre folgado, todo espalhado e violando os limites do maniqueísmo ou do que fosse -, diversão de gente imatura, reconheço, porque nunca fora domesticado para integrar panelinhas, nem catequizado para professar fé ou lógica de natureza alguma.
Exatamente por tudo isso, sou quase uma fraude, tal erva daninha na condição de inimigo a ser combatido, sem causa nem animal de estimação, eu sempre me dera disposto ao altruísmo. Quem diria.
Pelo menos fui honesto comigo e ao que me propunha fazer, não escondendo de ninguém a patética jactância dos meus critérios duvidosos, sempre apostando em trunfos que não passavam de travessuras e risadagens, quando não deselegante e indiscreto usurpador da paciência alheia, radical em minhas tolices.
Mesmo assim, depois da profusão assombrosa dos meus trocentos fracassos, procurava todo mundo para comemorar – cadê? Tudo desabado.
Tiveram todos muita paciência comigo, sou grato, acho que relevavam meus desatinos.
Mais sei: aguentaram além da conta, algumas ou tantas e muitas sucumbiram às antipatias que se esgarçaram das amizades às mórbidas indiferenças – de boas intenções o inferno já estava pra lá de sobrecarregado. Evidente que eu deveria ter culpa no cartório.
Quanto mais tentava acertar, mais emporcalhava: sempre metia as mãos pelas pernas – vai ser desorientado assim na casa da peste, doido! Pudera, no frigir dos ovos, nunca fizera nada digno de nota, tudo construído na minha incapacidade extravagante em manter vínculos e convívios.
Uma ou outra que se diga lá de qualquer coisa.
Optei por ser estrangeiro autoexilado na solidão, aliás, solitude e convivendo na penumbra dos meus porões.
Contudo, ao reencontro com qualquer dos sobreviventes, viro festa de dia da padroeira, dentes mordendo as orelhas.
É muito bom rever as pessoas depois de um tanto de tempo, batendo papo, atualizando as novidades e velharia, retomando contato – embora eu seja reconhecidamente relapso. Mas garanto o tanto de entusiasmo e, ouso dizer aos de ontem e de sempre, da minha alegria de revê-los e de sonharmos juntos na construção de um mundo melhor paratodos. Quiçás, oxalás & vamos sempre juntos! © Luiz Alberto Machado.
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