Desde 01 de Março de 2022

Um Grito de Indignação Contra a Barbárie

Vânia Moreira Diniz

Esta operação policial, que resultou no massacre de uma quantidade incalculável de indivíduos, lança-nos em um profundo desespero diante da espantosa mortalidade registrada. Como podemos sequer cogitar outro assunto que não seja o veemente protesto contra o sofrimento de famílias inteiras?

Neste momento, devemos estar em luto por vidas humanas ceifadas de forma tão brutal, e a indignação é a única resposta cabível. Ali residem cidadãos honestos que labutam dia após dia pela sobrevivência, mas cuja paz lhes é negada por uma perseguição sistemática. Vivemos um abismo, o fundo de um poço escuro e sem prumo, do qual a comunidade não consegue se desvencilhar.

É inconcebível como as autoridades conseguem repousar após este banho de sangue, que dizimou vidas — homens, mulheres, crianças e adolescentes — fulminadas por atos de barbárie descontrolada. Tais atos atingem precisamente aqueles que estão indefesos e que habitam a região justamente por não gozarem dos mesmos privilégios da maioria.

Como poderemos, nesta conjuntura, desviar o pensamento da crueldade hedionda que se desenrolou e que devastou a vida de centenas de seres humanos? A dor que nos assola é dilacerante, pois enquanto se trava uma discussão sobre a polarização da nação, vidas são consumidas. Pessoas que merecem respeito incondicional em sua dignidade são vítimas de um extermínio que não lhes permite escapar da perseguição e da morte, de um modo covarde e incompreensível.

Não é com carnificina que se ergue um país digno e justo, nem subtraindo o bem mais precioso, a vida, de maneira tão ignóbil e arrasadora. Não é assim que nossos jovens podem almejar um futuro saudável para alavancar esta nação, quando são expostos a exemplos de barbaridade que lhes roubam a esperança e deixam traumas que jamais serão apagados. A dor é imensurável.

De alguma forma, temos a obrigação de reagir e defender uma classe social que está sendo injustiçada de maneira cruel e desumana.

Conteúdo atualizado pela equipe Essenciar

Compartilhar Artigo:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

RELACIONADOS

Você também pode gostar

CRÔNICA DE OUTRO ABRIL

Luiz Alberto Machado Havia o dia e isso já era o que podia ocorrer de melhor. Alguém não viu e era eu, as coisas todas

O Abraço que Atravessou a Tela

Às vezes, a vida nos reserva surpresas que parecem escritas com a delicadeza de um poema. Hoje, em meio à movimentação de um grande evento,