Esta operação policial, que resultou no massacre de uma quantidade incalculável de indivíduos, lança-nos em um profundo desespero diante da espantosa mortalidade registrada. Como podemos sequer cogitar outro assunto que não seja o veemente protesto contra o sofrimento de famílias inteiras?
Neste momento, devemos estar em luto por vidas humanas ceifadas de forma tão brutal, e a indignação é a única resposta cabível. Ali residem cidadãos honestos que labutam dia após dia pela sobrevivência, mas cuja paz lhes é negada por uma perseguição sistemática. Vivemos um abismo, o fundo de um poço escuro e sem prumo, do qual a comunidade não consegue se desvencilhar.
É inconcebível como as autoridades conseguem repousar após este banho de sangue, que dizimou vidas — homens, mulheres, crianças e adolescentes — fulminadas por atos de barbárie descontrolada. Tais atos atingem precisamente aqueles que estão indefesos e que habitam a região justamente por não gozarem dos mesmos privilégios da maioria.
Como poderemos, nesta conjuntura, desviar o pensamento da crueldade hedionda que se desenrolou e que devastou a vida de centenas de seres humanos? A dor que nos assola é dilacerante, pois enquanto se trava uma discussão sobre a polarização da nação, vidas são consumidas. Pessoas que merecem respeito incondicional em sua dignidade são vítimas de um extermínio que não lhes permite escapar da perseguição e da morte, de um modo covarde e incompreensível.
Não é com carnificina que se ergue um país digno e justo, nem subtraindo o bem mais precioso, a vida, de maneira tão ignóbil e arrasadora. Não é assim que nossos jovens podem almejar um futuro saudável para alavancar esta nação, quando são expostos a exemplos de barbaridade que lhes roubam a esperança e deixam traumas que jamais serão apagados. A dor é imensurável.
De alguma forma, temos a obrigação de reagir e defender uma classe social que está sendo injustiçada de maneira cruel e desumana.
Conteúdo atualizado pela equipe Essenciar



