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Reinventando-me Após o Eco dos Mestres

Vânia Moreira Diniz escritora

Que maravilhoso! Estou imersa em um processo de autodescoberta, utilizando os ensinamentos que absorvi ao longo da vida, graças a mestres extraordinários. Aprendi, enfim, a apreciar a minha própria companhia. Pelo menos agora não preciso mais responder a indagações sobre meu bem-estar, meus destinos ou a razão do meu silêncio.
Posso mergulhar em meus livros sem a interrupção de perguntas triviais, ou de sermões sobre a necessidade de desacelerar o ritmo de trabalho porque a vida é efêmera. Acaso imaginam que eu ignoro essa realidade?

Tenho plena consciência de tudo que me é dito: dos picos de estresse quando me sinto mais agitada, da sugestão de não ir à academia por causa do calor excessivo, ou de dormir de madrugada. Contudo, estou reinventando a forma de me relacionar comigo mesma, permitindo-me ser levada pelo fluxo da existência, seja contemplando a paisagem ou ouvindo música em alto volume.

Neste instante de reflexão sobre minha jornada, meu pensamento alça voo e aterrissa em diversas paisagens que marcaram minha trajetória. Somente agora consigo compreender quantas vezes deveria ter escutado o que me era dito, ou ao menos ponderado sobre os conselhos recebidos. Eu teria tido, no mínimo, mais opções; e, ao rever o filme da minha vida, percebo lacunas não preenchidas que poderiam ter me levado a conclusões mais lúcidas e funcionais.

Lamento ter deixado escapar os momentos mais valiosos, justamente aqueles que, de longe, ecoam em minha mente, e que eu desejaria ter ouvido com maior clareza. E foram precisamente essas oportunidades que se perderam entre risos, distrações ou a simples falta de interesse.

Sinto, na distância, uma palavra carinhosa que talvez não lhe tenha dado o devido peso, mas que agora ressurge, impulsionando meu intelecto com reflexões preciosas, perdidas na bagagem onde eu guardava meus bens mais estimados.

Agora, percebo que, em um gesto de descuido, deixei cair e perdi o que havia de mais precioso que carregava. Sigo em frente, percorrendo meu caminho, mas é tarde demais para a semeadura. Resta-me apenas a colheita, e o imperativo de avaliar se o percurso valeu a pena e se o resultado foi satisfatório.

Vânia Moreira Diniz –  14/10/2025

Conteúdo atualizado pela equipe Essenciar

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