A noite é vasta, mas nela me aninho. Quando a madrugada se anuncia, busco aurores distantes, tão remotas quanto a própria vida. Ali, confronto a escuridão e a luz do amanhecer, abrigada em instantes tão fugazes que mal consigo discernir-me.
Contudo, aquela era outra era: o tempo de brincar, da doce ilusão de que o coração venceria o tempo e a paz seria perpétua. Desde então, acumulei experiências, presenciei dores incontáveis e me recolhi no ventre da madrugada alvissareira que, inevitavelmente, cedeu à manhã. Ninguém é culpado. Forjei meu destino, acreditei em utopias e persisti no trilho, buscando desvendar minha essência.
Deparei-me com visões que eu não deveria ter tido, na eterna busca pelo certo e pelo justo. Lancei-me em meus próprios enganos, senti uma dor abissal que jamais deveria ter me alcançado e, ainda assim, prossegui no voo que, por instinto, era inseguro. Mas eu ansiava experimentar, saber se conseguiria singrar entre trechos duvidosos. Acolhi as dúvidas e tentei equilibrar o dilúvio de incertezas que me cercava. Na madrugada do pranto, me avaliei frágil, mas, na verdade, a fortaleza residia em buscar a firmeza.
Ah, se eu pudesse ter compreendido que seria mais seguro e sólido ter escutado meu inconsciente, que sussurrava o que eu recusava ouvir! Tudo passou vertiginosamente, e hoje ainda caminho sem rumo. Os eventos se sucedem, e sigo frágil para me defender. Insisto, renego, procuro, mas quero prosseguir, pois os erros não foram irrevogáveis. Busco com afinco ir até o fim, para enfim compreender as razões das madrugadas que hão de vir sem que eu possa detê-las. E continuarei, expondo-me em momentos difíceis, para que encontre a conclusão de meus desvarios e possa, enfim, tocar a verdade.
Vânia Moreira Diniz



