Luiz Alberto Machado

A vida abriu-me seu livro & era uma Carta de Amor. E nela os ventos trouxeram outras vozes da Constelação do Homem Velho na plenitude estival de quem semeou, plantou e colheu.
E dizia do rio: tudo passa, apesar de parecer o mesmo, só parece… E sorria caudaloso pelas nascentes aos mares que há milênios continuavam os mesmos mundafora.
E me ensinava o ouvido ao chão de quantas estradas para Guaxu – a Constelação do Veado no nublado outonal e as árvores milenares continuavam o que são no calor da escrita pela viagem sinuosa, quando precipitava a noite e parava no meio do caminho ao fogo com quantas danças de mudanças, a sintonia e a intuição, o sentimento primevo.
Já amanhecia e vinha da Constelação da Ema a invernada com o entusiasmo das ventanias que mil vezes voltavam para conhecer de longe os segredos do silêncio espalhado. E a pedra era ouro no coração…
E o Sol anunciava ali um novo todos os dias, a cosmovisão do amor de muitos nomes, a incondicional alegria alquímica do mistério sagrado pelo florido primaveril da Constelação da Anta do Norte.
Mundividências múltiplas e mais do que sou aos tantos. E eu que me sentia órfão, língua & coração, não mais… Porque tive que reaprender com a Mãe-Terra o amor dela a mim devotado desde os primórdios. Quão equivocado estava, agora eu sei: o que sou de todas as coisas…
E passei a dormir com a essência de gratidão aos antepassados, o afeto dedicado dos guardiões.
E sonhei com as hestórias agitadas dos maracás no toré e as minhas mãos com a de todos, o Grande Espírito em festa.
A vida ensinou-me o olhar além de mim e o plural madurava presente na jornada, a reconhecer-me entre parelhos e diferentes, a ancoragem na ancestralidade anímica e a paz ansiada de longa data.
Estava atento e percebia dela a mais profunda ensinança: o amor é o grande trunfo da existência…
Assim a vida, somos um só…
© Luiz Alberto Machado. Veja mais acessando: https://blogdotataritaritata.blogspot.com



