Desde 01 de Março de 2022

Vânia Moreira Diniz

Abri os olhos bem devagar. Havia sonhado com imagens de pessoas queridas, que nunca mais havia visto, mas que continuam presentes em mim, indelevelmente. E pensei no extraordinário poder de viver pela memória e pelo pensamento. Um viver mais nostálgico em suas proporções macabras, mas nem por isso menos especial e verdadeiro.

Percorri a semiescuridão do quarto, sem poder fixar-me em nada mais que as figuras apenas delineadas, mas tão fortes que se apresentaram em meu sonho.

A minha impressão ainda sob a ação do subconsciente ativo é que tínhamos duas realidades e compreendi de forma diferente porque a razão de acreditarmos que as pessoas não morrem.

Refleti também no que estava sempre presente em mim: A intensidade com que caminhamos de forma diversa e peculiar, a energia nos envolvendo com um vigor assustador, a certeza de que pessoas queridas estão ali e conosco e a vida subsistindo em nosso sono como se fosse outra verdade.

Vânia Moreira Diniz.

Compartilhar Artigo:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn
RELACIONADOS

Você também pode gostar

SIMULACROS

Luiz Alberto Machado Falando comigo: sou umbigo nas paredes, todos & ninguém – o trâmite da solidão. Cansaço, murro em pontas de facas: o bloco

07) Couraças de Infância

Há portas no porão da memória que permanecem trancadas por décadas, até que uma chave invisível as abre de repente. Foi o que me aconteceu