Lá, nos confins do mundo — naquele horizonte difuso onde a realidade se entrelaça com os sentimentos mais puros —, gostaria de revisitar meus pensamentos remotos. São memórias tão antigas que hoje as recordo soltas, leves como folhas ao vento, desprendidas do peso do tempo.
Em minha jornada, deixei-me extasiar pela vastidão do azul do céu, pela densidade vibrante do verde das matas e pela monótona, porém hipnotizante, linha reta das estradas que pareciam não ter fim. Observei os rostos sérios e inescrutáveis dos adultos, portadores de segredos que eu ainda não sabia decifrar, e contrastei essa gravidade com o encanto genuíno das crianças. Buscava, no olhar de cada pessoa que cruzava meu caminho, uma âncora, ansiosa para finalmente sentir onde eu estava, para compreender o meu lugar no mundo.
Hoje, sinto um desejo profundo de me reconciliar com meus melhores momentos. Minha alma está ansiosa, pulsando numa urgência de gritar, chorar e sorrir, tudo ao mesmo tempo, para ponderar a verdadeira dimensão da vida. Quero ser capaz de encontrar, no recôndito mais profundo do meu ser, a verdade crua e bela de tudo o que presenciei.
Gostaria de ter o poder de retroceder o relógio, de recomeçar a caminhada não para mudar o destino, mas para enxergar com clareza o verdadeiro sentido das coisas singelas — aquelas que, na pressa dos dias, parecem pequenas, mas que se revelam imensamente significativas. Desejo, preciso e almejo, acima de tudo, a paz de finalmente me entender.
Vânia Moreira Diniz



