Desde 01 de Março de 2022

Dor Insuportável

Vânia Moreira Diniz

Quero fazer uma homenagem, entre lágrimas e sorrisos, tristezas e alegrias, a alguém em quem pude me amparar, meu segundo pai. Quando eu era pequena, sensível, mas extrovertida e vibrante, me senti perdida na adolescência, entre mil obrigações, vivenciando um sofrimento profundo. Foi esse homem que me deu a mão quando meu irmãozinho Cláudio estava morrendo. Eu não entendia como um pequeno de apenas três anos podia ser vítima de uma doença fatal, em um tempo em que meus olhos não admitiam a claridade daqueles anos difíceis.

Foi ele que, nas muitas vezes em que eu cobria os ouvidos para abafar os gritos de dor, vinha bater à porta do meu quarto. Com delicadeza, segurava minhas mãos e me abraçava, dando-me força e apelando para minha fé. Convidava-me para acompanhá-lo em um passeio de carro pela Avenida Atlântica, pertinho do mar que eu tanto amava, para que eu pudesse me acalmar. Ele me falava da força que eu precisava ter naquele instante de tragédia e imenso sofrimento, falava de meus pais e do quanto eles precisavam de mim. Eu, por minha vez, perguntava-lhe por que não curava meu irmãozinho.

Dr. Odilon me contemplava com muito carinho, enquanto disfarçava as lágrimas que desciam de seus olhos verdes e extremamente bondosos. Jamais poderei esquecer a ternura que transparecia em suas palavras, e por isso, agradeço profundamente. Eu tinha apenas doze anos, minhas irmãs eram bebês, e meus irmãos não compreendiam o espaço imenso que em breve iria transformar nossa família.

Até hoje, em certas fases, recordo-me de tudo com detalhes, porque mesmo que eu pudesse viver duzentos anos, não seria capaz de esquecer daqueles meses silenciosos, interrompidos por gritos de dor. Meu amor e carinho a esse homem maravilhoso que nunca esquecerei, que foi minha força e pôde suavizar um pouco a minha vida. Certamente ele está envolvido em muita luz, neste momento em que um fato especial me fez reviver essa dor insuportável.

Vânia Moreira Diniz

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