Não espere que o calendário te salve. Nada muda lá fora se, aqui dentro, a gente não tiver a coragem brutal de se reconstruir. Temos essa doce ilusão de que a virada de ano é um feitiço, um passe de mágica capaz de lavar a alma. Mas o tempo é apenas o palco; os protagonistas somos nós. Os erros persistem se não lutarmos contra eles, e a paz não nos visita se não aprendermos a domar as tempestades do próprio peito.
Muitas vezes, culpamos o ano, o destino ou o cosmos pelas nossas lágrimas, quando a chave da mudança sempre esteve em nossas mãos.
Hoje, ao olhar para trás e ver o ano de 2025 se afastando, meu coração transborda em agradecimento. Quero agradecer à Vida e ao Criador — seja Ele a natureza, a energia ou a força divina que nos conduz. Mas minha gratidão é igualmente imensa a todos que estiveram ao meu lado. Se me sinto realizada hoje, tendo transposto obstáculos e finalizado projetos, é porque essa força maior e essas pessoas preciosas não me deixaram cair.
Passei por vales de dores profundas. Houve momentos em que a escuridão era tão densa que me senti perdida, tateando por uma saída. Mas minha fé foi o chão quando tudo parecia desabar. Travei batalhas silenciosas, disfarçando a tempestade que me habitava e escondendo minhas feridas, simplesmente porque o amor que sinto pelos meus é maior que a minha dor — eu não queria que o meu sofrimento apagasse o brilho deles.
E eu venci. Ainda que as memórias transitem em meu peito, cumpri meu dever. Nas noites mais longas, quando a impotência tentava me abraçar, o dia seguinte surgia como um milagre, e as horas da madrugada tornaram-se meus lumes, meu farol, meu porto seguro.
Sigo agora, não apenas caminhando, mas com a alma fortalecida e grata. Estou alerta e confiante nos gestos que sinalizam a Vitória.
Vânia M. Diniz



