Desde 01 de Março de 2022

Nem sei o rumo…

Vânia Moreira Diniz

Ando pelos caminhos da vida
E nem sei o rumo…
Ando pelas calçadas esburacadas,
Em direção ao porto de paz e segurança,
Procurando a claridade nas horas escuras,
E a certeza da esperança perdida.
E nem sei o rumo…

Ando na solidão dos momentos conturbados,
Nas estradas vertiginosas e agitadas,
Na poluição crescente das grandes cidades,
No barulho irritante da monotonia diária.
Na incerteza das minhas convicções…
E nem sei o rumo…

Ando procurando a felicidade segura,
Os ideais arrefecidos em languidez,
Os sonhos que já não me lembro,
A confiança dos dias passados,
Os rostos queridos desanuviados…
E nem sei o rumo…

Ando na saudade do meu amanhecer,
Nos arraiais sem nome e identidade,
Na alegria contraditória dos adolescentes,
Na inspiração constante e crescente,
Que me procura feliz e onipotente
E nem sei o rumo…

Ando na gratidão de meus versos,
Nas alamedas escuras e tão vazias,
Na ressonância de gritos desconhecidos,
No eco de minha própria voz longínqua,
Nas vilas das casas desabitadas e frias,
E nem sei o rumo…

Ando em procura constante e ininterrupta,
Rastreando os passos que se foram relutantes,
E a voz sonora e harmoniosa quase indistinta,
Ando, ando nem descanso.
Só me canso…

E nem sei o rumo…

Ando à procura de mim mesma,
Tentando descobrir quem sou
O que sinto,
O que preciso
Onde aportar,
Ficar…
E nem sei o rumo…

Vânia Moreira Diniz

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