Voei em direção a um lugar especial, longe do barulho, das buzinas dos carros e da efervescência que lidera os grandes centros. Imaginei que só o tumulto e o movimento me deixassem à vontade, mas acordei com a sensação de que precisava me isolar para compreender o que se passava à minha volta. Não importava que fosse domingo, o sol brilhasse luminoso, o tempo estivesse à minha disposição para usufruí-lo intensamente e a vida atendesse com suavidade os meus desejos. Precisava volitar em outras paragens com leveza de quem possui asas, intercalar os espaços e ultrapassar o vento uivante e ligeiro. Passar bem acima do mar infinitamente belo senti-lo como o aliado que me conduziria acompanhando-me o voo ilimitado. Alcançar as nuvens, enroscando-me em sua claridade, seduzida pelo prateado ofuscante, alucinada pelo espaço tentador. E prosseguir meu passeio, bebendo em fontes que certamente mitigariam minha sede, parando às sombras das árvores, entendendo a voz enérgica da natureza e encontrando-me com o horizonte que refletiria outro horizonte inatingível.
Vânia Moreira Diniz- 02-04-2025
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