
Uma coisa: o barulho acorda a manhã da cidade e ouço o apelo dos braços avexados pelas compulsões. Não podem perder a hora do que nem sabem nem eu sei, só da ânsia no trânsito, buzinas inquietas, berros de salvações pelos alto-falantes, o horror da dissipação de prazeres, porque o indesejável na careta dos preços das vitrines e gôndolas ao custo dos olhos da cara. E afugentam pássaros como patos de alhures, para se salvarem de guerra nada haver, enquanto o risco dos canos e pipocos das arapucas promocionais insinuam varandas disfarçadas de grilhões, pra quem não sabe se vive pela hora da morte.
Outra ou duas: a vida passa e um dragão sonhava pesadelos formidáveis de cabeças-de-fósforos acesas quase apagando, próceres preventivamente evitando a sua intolerável presença, astúcias ostensivas em pleno baile de caveiras animadas e pródigos incompatíveis. De fato: um anão raptado jurava inocência ejetado pelo esguicho duma baleia raivosa e a brincadeira era só para evitar chateação de uma autoridade ad hoc com a mão pedinte por um comprimido pra dor no quengo, porque um furúnculo incomodava nas nádegas da ideia calculada que não vingava nunca, como se uma fosse outra estupenda graça suplementar, pela qual um anjo da guarda insinuasse pensar o summum bonum das modernices que medram as valias de antanho, mesmo parecendo novidade tão vetusta do que passou e o vindouro.
Mais três na lata: o tempo urge nas entranhas do noticiário da hora e queima as tripas com a fácil previsão do desacerto e ninguém adivinhou nem o bolão nem a urgência climática tostando o que sou e todos somos insignificâncias de todas as grandezas lembradas e esquecidas: os olhos todos na mesma direção e é só enxergar a tragédia iminente ao redor e nada é visto ou entendido, só o de longe estampado na telinha da hipnose geral e tudo é indiferente, sem graça pela imunidade e ora chega de indignação, o saco cheio esborrando a rotina e é só.
Outras & mais: Não sei quantas vezes mergulhei nesse mar de estupidez e tão cretino passei por combustões quantas e mudanças sobre chamas torturantes, às cambalhotas, quais saltos soltos e o pingo d’água no ar, leite tirado do chão batido, perturbadores desejos anunciando uma felicidade urgente e eu perdido pelas adversidades implacáveis, ouvindo falar de augúrios, discórdias, sinecuras, apetites, paixões, anelos, a festa de opostos pelo avesso das portas de umbral ilógico, tudo sempre paradoxal e eu boquiaberto porque ninguém está nem aí e eu perdido porque ninguém é de ninguém e sei lá mais.
Tantas & muitas: ah, peraí, deixa rolar! Se pra lá, paro por aqui, mas como sair desse pandemônio? Precisamos viver de verdade: respiro fundo, desço desse vexame, saio e o que mais vier nesse inferno, tudo borbulha no caldeirão, mesmo assim inspiro e expiro, onde ar puro, às léguas, e a par disso tudo, olhos pra perto, coração voa longe, sinto a música entre outros e todos e tudo, parece irradiar a chama do milagre, sou alquimista e pleno de paz pelo que faça recíproco e altruísta, feito flor a desabrochar na pedra perdida pelos ventos e ondas, terra e céu, a revelação e o limiar secreto: sempre soube que a vida é outra coisa além da loucura econômica e de se matar pra ter e ser, sabia e sei, voo. © Luiz Alberto Machado.
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