Desde 01 de Março de 2022

UM PASSO DE CADA VEZ NA FOGUEIRA DO MUNDO

(PARAFRASEANDO JACKSON POLLOCK)

Luiz Alberto Machado

Escrevo.
Escrevo sem rascunhos. E, para falar a verdade, não estou bem certo do que escrevo. Só escrevo. Só depois de pronto, às vezes, vejo.
Não sei bem o que faço, sei que escrevo, e isso é só, apenas.
Essa a minha forma de existir, escrevo porque é a minha vida, meu ato de estar só e viver.
Deixo correr, minha cabeça é uma bagunça, depois organizo, ou deixo como estiver.
Tento ordenar, mas deixo que flua livre e tão somente.
Assim abordo o minúsculo mundo ao meu redor; tentando, a partir dessa miniatura, enxergar tudo que há pelas imensidões, o que há e não.
O que invento pode ser tido por perturbador: é o que me sai, talvez seja um monstro ou muitos que habitam em mim, os meus tantos e muitos eus e as suas brincadeiras de criança.
Apenas brinco como o menino que sempre fui e nunca deixei de ser.
Talvez tenha uma noção geral, o resultado é imprevisível. Só se sabe do que se brinca e eu brinco só.
Não tenho amigos: o de verdade sabe de tudo que pensamos com uma única palavra, mínima frase.
O que falo ninguém entende.
Hoje as pessoas me entediam e, às vezes, me assustam, muito embora tenha visto muita coisa de arrepiar.
Chegou uma hora que não conheço mais ninguém, coisas que vi de me fazer ficar na concha que rasgo todos os dias.
O ser humano é mesmo muito estranho.
Cada coisa!
Não sei o que realizei, acho que nada, ou se algo, com certeza, nada demais.
Não importa quantas palavras foram jogadas ou ditas, vale apenas o que ficou dito, isso por bem ou mal.
Tento contar uma história.
Nunca temi nada, nem de mudar, iconoclasta sou, isso eu sei de mim.
Não ligo pra moda nem pra convenção disso ou daquilo, não há o que me representa nem quero representar nada.
A literatura é uma forma de morrer, como toda arte.
Pra falar a verdade ainda nem sei mesmo da literatura porque não escrevo a natureza, eu sou ela, minha autodescoberta. Escrevo o que sou, meu estado de ser.
Como só sei o que sou, não sei o que gostaria de ser. Sou um eterno estudante e ouço Pollock dizer: “Amor é amizade transformada em música”.
É isso, em tudo que faço e vejo e toco e sinto: há muita música.
Sim, só a poesia torna a vida suportável. © Luiz Alberto Machado.

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