
Estou aqui para compartilhar um pouco sobre as singelas pinturas que venho publicando. Sou uma simples iniciante neste universo, e me ocorre agora que minha vida tem sido tecida por fascinantes contrastes.
Minha jornada com a literatura começou cedo, aos seis anos, impulsionada pelo incentivo do meu avô, que foi um grande escritor e por quem eu nutria imensa admiração. Em contrapartida, minha incursão na pintura deu-se de forma tardia. Embora sempre tenha apreciado muito a arte visual — e acompanhasse minha mãe nas vernissages — eu adiava a prática, convencida de que, por mais que gostasse, não possuía o talento necessário.
Hoje, no entanto, a vontade de lidar com as cores que tanto amo falou mais alto. São apenas rabiscos, é verdade, mas esta prática está me fazendo um bem imenso, permitindo que meu cérebro alce voos para novas dimensões da imaginação. É uma forma de autoterapia, ainda que eu tenha total consciência de que jamais serei uma pintora profissional, apenas uma aprendiz dedicada, se o tempo me permitir.
O interessante é que escrever eu exercitava desde a infância, impulsionada pelo prazer de observar o mundo à minha volta e complementar as vastas leituras que fazia. A pintura, iniciada em uma fase mais madura, sei que nunca me levará sequer a um nível mediano. Mesmo assim, preparei um estúdio em minha casa para trabalhar livremente com os pincéis. Não quis misturar a literatura e a pintura no mesmo ambiente, justamente para garantir a plena liberdade em ambas as atividades.
Embora não almeje ser uma artista competente no campo das artes plásticas, tenho a certeza de que a pintura me ajudará a me libertar de tensões desagradáveis. Isso não me importa; meu desejo agora é dissipar o fluxo incessante de preocupações, e o faço com verdadeiro prazer. Queria apenas me apresentar como uma pintora iniciante, ciente de que minhas criações não são “obras de arte”. São a manifestação de um deleite intrínseco que sempre me fascinou.
A literatura está ligada a mim de forma tão visceral, como algo que aprendi a fazer tal qual a andar. Na pintura, não sou desenhista — não consigo esboçar nada, pois essa habilidade demandaria um talento específico. Sou, portanto, uma pintora iniciante que, através desta paixão, encontrará horas de prazer e um hobby que sempre desejei praticar.
Vânia Diniz



