Estou aqui, trabalhando, aprofundando-me nas experiências, mas a saudade abre uma ferida imensa. Procuro tratá-la, alegro-me com a luta por um mundo melhor, mas a dor é funda.
As lágrimas descem sem que eu tente detê-las; elas aliviam. Enxugo o rosto e sigo, sabendo que a dor um dia suavizará, mas a saudade, essa é eterna.
Caminho carregando lembranças, dominando minha angústia para não preocupar ninguém. Só nós sabemos administrar o que se passa cá dentro. A força vem da alma, e o trabalho e a ternura com o próximo são os remédios que me farão, um dia, estar mais livre das aflições.
Revejo o mar que me batizou, as conversas e o silêncio das ondas que traziam paz, lembrando-me de que estariam lá mesmo nos dissabores. Olho o céu azul, o sol intenso, e procuro sorrir. Abraço a mim mesma para sentir um pouco da minha mãe.
Lembro de cenas tão vívidas que pareço viver uma regressão. E então vem o consolo: a certeza do reencontro, do sorriso dela, de suas mãos que me passavam segurança e daquele olhar que revelava seu coração.
Viajo entre sonhos e nuvens, longe de tudo que não seja amor, buscando na natureza a placidez. Penso no afago dos que me querem bem, na doçura dos amigos e vejo que estou acompanhada.
Continuo a viagem, experimento o riso e indago: o que faço com tanta saudade? De longe, a natureza me acena que a suavidade tornará esse sentimento suportável, amadurecendo meu coração.
Recordo as lágrimas dela nas minhas despedidas para o Rio ou Brasília. Sei que agora não há distância e que ela me vê com precisão de onde estiver, num espaço de muito fulgor.
Mas a minha saudade… Ah, saudade!
Sigo o caminho convicta de que preciso andar, olhar para meus irmãos de caminhada e prosseguir com o trabalho, regando a semente para que frutifique. Vamos continuar… só assim meu coração se acalmará.
Vânia Moreira Diniz



