Luiz Alberto Machado

Para tudo um outro lado: a chuva, o dia ensolarado.
Uma atrapalha o trânsito de quem está com pressa nas ruas alagadas, o outro radiante temperatura elevada ao suor de quase levar o juízo ao colapso de tão insuportável.
O tempo não para e a distância entre o objetivo e a satisfação, cada vez mais se complica diante de tantas dificuldades inventadas.
Assim caminha todo mundo: unilateral na vontade férrea e devastadora, apenas angustia e desespero.
Para evitar, os atalhos; receitas, métodos práticos ou regra geral e, num passe de mágica, o manual de instruções e tudo palatável e simples de dar certo. E não dá. Aí é o fim do mundo. É a hora do chão não passa e, de soslaio, a íntima relação entre a vida e os paradoxos na correlação dos contrários: tudo está em interconexão.
A chuva irriga a Terra pra festa da Natureza; o Sol ilumina o real da vida.
O relógio parou e a noite na distância é visível: acende-se a vela e tudo passa… Períodos, fases e ciclos sucessivos e cumulativos, vivências, atitudes, pensamentos, experiências, sentimentos, ações e aprendizagens.
A chuva, o mormaço estiado.
O que penso e sei não responde por tudo, dúvidas à estaca zero.
Descubro-me finito na infinitude, menor que a mim mesmo, maior do que previra. Alguma coisa me diz e não entende, então, não me diz nada. Mais um, pode ser. E se não sei, também não quer dizer nada: compreendo, afinal. Penso e medito. Cada qual sua intuição: o fenômeno e a percepção – a cabeça e o coração diante do visinvisível: tudo acontece, embora quase eu nem saiba. Nem veja, muito menos me dê conta.
No trâmite da trajetória, altos e baixos, extrema rapidez ou estagnação: a transitoriedade, o instável de tudo, coisas incompreensivelmente desconexas e subjacentes, duas que dão noutras, são mais tantas e se combinam e recombinam na contínua transformação, sem retorno ao passado nem presente estático, perdido entre outras e muitas.
A tempestade, o chão esturricado. E não só: ventanias, insolações.
Vivo e voo para concatenar turbulências: autoconfiança exige coragem e apreender.
Se fecho os olhos, parece que não vejo nada: a vida e todas as coisas no mesmo lugar de sempre, o benestrófico ubíquo diante da contrariedade das quedas e remorsos pelos vazios abissais de si.
É preciso seguir, persistir e perseverar: consciência elevada – como a radiação de uma vela acesa, o fruto na árvore, o conteúdo de um livro: indistintamente. Tem muito mais.
Ah, qual melhor? Não sei. Todas válidas. Até as descartadas. Então, cada qual compreenda por si e dê o primeiro passo: escolher o caminho, seguir adiante, degrau por degrau, passo a passo e voo.
Apesar de só, não há solidão: somo todos UM. © Luiz Alberto Machado.
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