Desde 01 de Março de 2022

Quando a alma aprende a voar

Vânia Moreira Diniz

Sempre sonhei em voar. Quando pequena, indaguei à minha mãe se era possível. Ela quis saber o porquê do meu desejo, e respondi que os pássaros eram mais felizes, estavam sempre cantando e voando, enquanto as pessoas pareciam tristes sem motivo. Com detalhes, ela explicou que Deus havia criado tudo e era o autor da natureza.

Pouco depois, ainda garota, compreendi que na rua Nossa Senhora de Copacabana, onde tanto gostava de passear, havia pessoas sentadas no chão, machucadas e pedindo esmola. Essa realidade, pelo menos na minha percepção imediata, não ocorria com os pássaros ou outras espécies que conseguiam voar, cantando alegremente. No entanto, já havia entendido que muitos deles, presos em gaiolas, não podiam exercer o dom maravilhoso inerente ao seu próprio viver.

Com a maturidade e o conhecimento que adquirimos do aprendizado da vida e do mundo, entendi que podemos voar. Não do mesmo jeito, nem por funções biológicas inerentes. Nosso voo reside na imaginação, por meio de recordações, reflexões e questionamentos, quando estamos conscientes de nossos sonhos e sabemos que, se não quisermos expô-los, ninguém penetrará em nossa mente.

Voo muitas vezes, com os questionamentos mais estranhos, até mesmo quando quero me livrar de interpretações errôneas que não desejo que dilacerem o momento bom, o instante de liberdade e quando muitas recordações nos fazem bem e nos levam ao cume de nossa existência.

Ainda hoje voei, esquecida das verdades cruas, aguardando minha fase de serenidade e sobrevoando os obstáculos que poderiam, antes do tempo, me tornar cética e me fazer desacreditar da fé que nos leva a exultar. Esquecida de que estava enxergando a terra para que pudesse realmente encontrar a verdadeira razão de viver.

Voar é acreditar, amar sem entraves, não ceder ao desespero e chegar realmente ao êxtase de desfrutar nossa passagem por este planeta.

Vânia Moreira Diniz

Conteúdo atualizado pela equipe Essenciar

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