Li uma frase do grande poeta Mário Quintana que dizia que o passado é insistente; mesmo que desejemos esquecê-lo, ele sempre está presente. Não lembro as palavras exatas, pois li em um poema e não gravei a frase no contexto, mas me identifiquei profundamente com cada palavra. Conheci Mário Quintana na década em que ele partiu, e poucas vezes vi um poeta renomado ser tão simples e natural, falando do cotidiano com total liberdade.
Realmente, é difícil esquecer acontecimentos que marcaram nossas vidas, pois nossas raízes estão justamente aí. Muitas vezes, alegrias e tristezas ficam guardadas no inconsciente, podendo emergir mesmo após décadas. Estou passando por essa fase agora. Preciso desse momento para me manter firme e entender o porquê de muitas coisas que estão acontecendo e que não consigo discernir, tanto dentro de mim quanto no que vejo ou tomo conhecimento.
Atualmente, fala-se muito sobre pensar em nós mesmos, mas não consigo entender isso muito bem. Cresci ouvindo minha família e mestres falarem sobre o egoísmo, afirmando que, quando estivéssemos mal, deveríamos olhar ao redor e talvez pensar no outro para aliviar nossa própria dor. Essas pessoas me ensinaram como é triste ter um ego inflado ou predominante. Aprendi que os sofrimentos podem ser paralelos e que um pode ajudar o outro.
Lembro-me de como foi promissor ajudar alguém próximo a mim que estava passando por situações complicadas. Os conceitos mudam com o tempo, mas a base da solidariedade permanece, mesmo com o passar dos anos. Neste momento, minha infância me ajuda a dissipar qualquer dúvida, e meu inconsciente me traz versões das experiências que vivi, presenciei e assisti. Essas memórias me ajudam a continuar tentando ser um ser humano melhor e mais feliz.
Vânia Diniz
Conteúdo atualizado pela equipe Essenciar



