Estou vivenciando um momento de inflexão, talvez não de desespero, mas inegavelmente muito desafiador. Os pensamentos que emergem do emaranhado do meu inconsciente invadem minha mente de forma avassaladora, fazendo-me questionar a validade de resoluções tomadas no passado, decisões pelas quais tanto lutei para concretizar.
Nessa jornada de altos e baixos, entre quedas e aclives, sempre busquei me reestruturar para encontrar alguma segurança. Recordo-me dos primeiros instantes, quando ainda era menina, e as lembranças remotas me ajudam a traçar os primeiros passos incertos, o desejo de me afastar e buscar o que, ingenuamente, considerava ser o sentido da vida.
Errei, vacilei profundamente, relutando em reconhecer a imensidão da dor que me atingia, como um abismo prestes a me tragar.
Com o tempo, comecei a compreender que grande parte do meu caminho precisava de uma revisão urgente, se quisesse ter a chance de mudar a rota. Contudo, a ambivalência me paralisava. Eu não conseguia parar para solucionar minhas dúvidas; a necessidade de imediatismo era sufocante. Eu recuava, mas teimava em não transformar minha realidade.
Eu perseverava com as mesmas dificuldades. As conquistas foram muitas, é verdade, mas eram superficiais ou insuficientes para preencher o vazio. Em contrapartida, as derrotas me arrasavam, trucidando tudo o que eu havia edificado com tanto esforço.
O embate, forte e doloroso, tornou-se inevitável. Foi nesse ponto que a compreensão se instalou: embora tardia, eu precisava urgentemente encontrar o meu verdadeiro eu. Isso não significava mudar de lugar, nem me afastar das pessoas que me cercavam, mas sim adotar concepções e atitudes totalmente novas. Eu precisava ingressar em um novo universo de pensamentos que me levasse, finalmente, a agir com discernimento.
E aqui estou, neste ponto da estrada da minha existência, vivendo o mesmo instante mas em uma dimensão completamente diferente. Compreendo que ainda posso superar o inusitado e sorrir, apesar dos reveses e das marcas indeléveis que se tornaram parte de mim. Elas agora se dissolvem na luz de um sorriso de ternura e plena felicidade.
Vânia Moreira Diniz
Conteúdo atualizado pela equipe Essenciar



