O firmamento ostenta um azul naquela tonalidade que me encanta. Finas névoas o abraçam na vastidão do universo. Ao longe, o brilho maior e as constelações, um tesouro que engrandece este instante. Permaneço diante de tanto esplendor, absorvendo e celebrando o espetáculo de admirar essa imensidão. Reconheço a existência de muitas dores, mas o que seríamos sem elas? Como poderíamos, então, discernir a alegria?
Sigo minha jornada, buscando a orientação do meu coração e encontrando, pouco a pouco, a razão, a esperança e a fé, tríade que nos conduz a outras esferas.
Questiono-me se minhas convicções são sólidas ou se compreendo as lembranças e os eventos gerados no inconsciente, que explora os sentimentos. Reflito sobre nossa capacidade de obstruir essa fonte de vida intensa e perene que reside em nosso interior.
Se cometemos falhas, que as utilizemos para gerar ensinamentos que nos enriquecerão em emoções e pavimentarão o caminho para nos tornarmos indivíduos melhores a cada dia.
Muitas vezes, podemos mitigar o sofrimento alheio com um simples sorriso genuíno e uma palavra mais serena.
Infelizmente, o que se observa, especialmente nas redes sociais — reflexo do mundo físico —, é uma aflição em exibir felicidade, na ânsia de possuir um mundo mais cômodo, valioso ou abundante.
Imagino que todos seriam mais felizes se conseguissem extrair da alma aquilo que, mais cedo ou mais tarde, ocasionará sofrimentos depressivos. Nada é mais fundamental e autêntico do que a prática da empatia, pois sem ela, a paz não se estabelece.
Este é o ponto verdadeiramente primordial que nos levará, aqui mesmo neste planeta, a dias menos aflitivos na essência da palavra.
Ao retornar da minha caminhada, tive a certeza de que as máscaras que vestimos não lograrão enganar ninguém. É urgente que prossigamos libertos, humanos e compassivos. Avancemos praticando o autoconhecimento e nos convencendo de que a gentileza dignifica nossa condição humana e nos direciona a uma fase de tranquilidade que merecemos, antes da partida definitiva.
Vânia Moreira Diniz



