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Vânia Moreira Diniz

Hoje é meu dia de saudade. Sei que alguém muito próxima a mim está sofrendo… Simplesmente. E essa pessoa tem muitos sonhos que acumulou em sua muito jovem vida. Eu a conheço intimamente e capto cada trecho de sua personalidade. Mesmo assim não sei se poderá ter reações inesperadas. Na maioria das vezes não nos conhecemos e ficamos petrificados quando temos uma reação estranha.

Hoje é meu dia de reflexão em que mergulho totalmente em mim para ver se consigo absorver um conteúdo forte e desbravar com imparcialidade um mundo que está sempre misterioso e distante apesar de muitas experiências. E nessas reflexões por vezes ansiosas visualizo a alma de minha amiga e sinto a angústia que se apodera dela.

Hoje é meu dia de dúvida quanto ao sentido real da vida, mergulhando em meu próprio inconsciente e trazendo imagens e pensamentos lá sepultados sem aos menos compreender a razão dessa imersão involuntária num dia de muita perplexidade e dúvidas incoerentes.

Hoje é o meu dia de loucura, querendo da vida usufruir todas as migalhas sem notar a qualidade ou extensão, sem ver os detalhes ou avaliar as consequências. Querendo me agarrar a alguma coisa palpável que me dê a certeza da felicidade no sentido mais amplo e sentindo minha vulnerabilidade em todos os caminhos.

Hoje é meu dia do esquecimento de tudo que poderia me sustentar na estrada em que prossigo com passos ora firmes ora hesitantes mas sempre no sentido do futuro sem lembrar de nada que já empreendi ou conquistei e querendo sempre mais e mais densamente.

Hoje é meu dia da fragilidade, das lágrimas e dos risos, da certeza iluminada, da verdade inconquistável, do engano irrealizável, dos olhares que se cruzam amenos ou profundos, da natureza apreciada, da beleza admirada. É meu dia de viver cada momento, de sentir todas as sensações e de retornar ilesa e vigorosa.

Hoje é meu dia do perdão em que desconheço as ofensas por imensas que sejam, ignoro as palavras duras, não enxergo os instantes de agonia, distancio-me dos sofrimentos, fico cega às indiferenças , ignoro as ironias e me encorajo nas duras decisões contraditórias e tormentosas.

Hoje é principalmente meu dia de liberdade em que abro os olhos e me ilumino com a luz que jorra espontânea e abundante e me permito amar-me, enternecer-me completar-me e gozar todos os momentos lúdicos e inebriantes vivendo a sensualidade plena em todos os aspectos.

Hoje, agora, nesse minuto é meu dia mais cativante, majestoso e verdadeiro.

Publicado em 24/06/2004

Vânia Moreira Diniz

Conteúdo atualizado pela equipe Essenciar

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