Já nem sei onde estou. Percorro esta estrada e vivenciei tantas emoções opostas – de alegria sem fim ou de tristeza que me trouxe lágrimas. O tempo foi pautado pelos sentimentos ou ciclos que envolviam os meus passos, e a esperança que surgia, profunda, por vezes abalava a minha fé. O sol continua a ser meu parceiro e o mar, meu confidente.
Há dias em que me sinto como uma criança imersa nos acontecimentos, rindo de qualquer bobagem, divertindo-me a correr ou a descobrir, com os olhos brilhantes já a vislumbrar outros dias que anunciavam a minha felicidade. Noutros, acordo adolescente, com o peito em ebulição, alternando entre introspecção e efusivas demonstrações de carinho, sorrindo para a vida ou triste por uma derrota. E até hoje essas fases oscilam, e há momentos em que parece que o horizonte se esvaiu, não há arco-íris nem cores, e os tons cinzentos escurecem o meu olhar.
Lembro-me, então, dos primeiros dias em que desvendei o mundo, que me pareceu extraordinariamente novo, quando ainda era pequenina, mas já estava em outro patamar e um divisor de águas parecia ter se operado em minha existência, marcado por sucessivos episódios que me deixavam extasiada, buscando em cada palavra um significado que ainda não se concretizara. E corria velozmente, as pernas fortes e leves, em busca de informações que eu mesma podia obter, compreendendo que podia ser independente enquanto olhava as estrelas à noite em constelações esplendorosas.
Há períodos que me parecem plenos, e o tempo é a ferramenta que orienta nossas vidas neste caminho tão repleto de obstáculos a superar. Contudo, surpreendemo-nos quando as vitórias que alcançam a plenitude também têm o seu tempo de duração.
Nada é absoluto. E neste dia, agradeço a Deus, às pessoas que moldaram meu aprendizado e, principalmente, aos meus pais que, com amor, me trouxeram até aqui; aos meus irmãos e amigos que caminharam e amadureceram comigo, e a todos aqueles que amo e que puderam nos propiciar o germe do afeto e do carinho verdadeiro.
Vânia Moreira Diniz


