Enquanto teclo, a janela de meu escritório aberta, posso me envolver com a natureza que me sorri. O verde cintilante de árvores e arbustos fez parte inerente de minha vida desde que cheguei à Brasília, oriunda do Rio de Janeiro cujo mar me batizou nas ondas brancas do posto seis.
Outubro vai se esvaindo, com suas datas especiais, o sol quente e luminoso que continuará a levar aos nossos habitantes, beleza, esperança e amor.
Esse editorial é especial porque falo de amor em diversas categorias é um presente singelo, mas retirado diretamente do meu coração.
Falar de amor apesar de ser um tema universalmente vivido, discutido, enunciado é complexo e extremamente difícil. E isso porque esse sentimento engloba diversas categorias. Poderemos falar do amor universal então. Que carrega todas as espécies do verdadeiro amor.
Nascemos de um ato de amor, crescemos e nos desenvolvemos vendo falar dele diariamente e para muitos, isso pode ter parecido quase uma rotina.
Sabemos, entretanto que jamais e em tempo algum esse amor sentido, capaz de doações e carinho poderá ser confundido com um hábito. Ao contrário, ele é inovador, vibrante e intenso. Quando abrigado ao calor do verdadeiro sentimento ou aquecido pela fagulha de um afeto profundo é capaz de dedicação e gestos até incompreensíveis. Nada é mais rico do que o autêntico amor.
Muitas vezes, porém, é confundido, vilipendiado e mal interpretado. Em ocasiões inúmeras, usadas como mero artefato para sobrepujar apenas o amor-próprio (fruto do egoísmo) que se impõe altivo exigindo em sua mesquinha compleição que todos ao redor o proclamem verdadeiro senhor.
Todas os formatos desse sentimento maravilhoso são tocados de estranho e poderoso magnetismo positivo. Ele estimula, eleva e dá forças àquele que está enfraquecido por qualquer razão. Faz com que as pessoas tenham uma motivação e lenitivo para se sentirem felizes e autenticamente realizadas. Isso porque quem ama e é amado adquire uma maior força perante a vida.
Há, todavia, diversas formas de amor e a maioria delas pela suas próprias características exigem reciprocidade. Uma reciprocidade sadia. Sem isso não há amor, apenas uma fixação.
A única exceção é o amor de pais para filhos e principalmente da mãe. Esse é um tipo de sentimento tão excepcionalmente profundo e oriundo da verdadeira doação que independe de como os filhos possam reagir.
O que quero enfatizar agora referindo-me ao amor romântico e tão cantado é o vértice de fascinação que o encobre seja qual for o ângulo em que nos posicionemos. Analisá-lo seria difícil demais levando em conta que acabaríamos por pesquisá-lo nos mínimos detalhes. E não é isso que me proponho agora. O que desejo realçar é a fantasia também muita importante dentro do próprio sentimento que faz com que duas pessoas se sintam atraídas e totalmente deslumbradas por alguém e não lhe atribua os defeitos inerentes e naturais.
Sem isso os sonhos tão importantes no desenrolar de uma relação romântica não existiriam e ruiriam levando com eles esperanças e ideais necessários à própria vida.
Em meio às solicitações profissionais, aos deveres inadiáveis, ao sucesso em qualquer campo da vida e a todas às solicitações importantes e mensuráveis esse lado lúdico se impõe de uma maneira absolutamente primordial. Sem ele não teríamos a nutrição do espírito e não seríamos devidamente alimentados para conduzir o lado objetivo da existência.
Mas agora quero falar de um aspecto misto de doçura e fortaleza que faz de nossa caminhada um objetivo e uma necessidade. O amor humano por quem está ao nosso lado ou mesmo distante por imposições geográficas e físicas. A quem precisamos amar ofertando um pouco de nós mesmos. Isso não fará bem somente a quem recebe, mas certamente e muito a quem oferta. É necessário, quase como um ato de egoísmo. Egoísmo positivo e indispensável.
Um olhar de amizade, um sorriso de compreensão, um gesto ameno, uma expressão suave poderá ajudar a quem está atravessando momentos difíceis.
Isso sem falar do amor do amigo que anseia para que o outro seja feliz, estimulando-o na hora certa e consciente de seu carinho necessário. O que une as pessoas independentes de sangue ou pátria é o amor e na amizade temos esse divino recurso: Podemos escolher.
Para cada tipo de amor existem demasiadas formas de sentir e nos transportarmos. Se fôssemos pensar nisso talvez não houvesse tempo para a maior adversidade que a vida pode impor a alguém que é qualquer tipo de mágoa nociva. Ela aniquila, devasta e torna as pessoas inseguras e enfraquecidas.
E o amor se imporá sempre vitorioso porque muito mais denso fantástico e dominador. O outro lado sempre existirá em nosso planeta para que possamos sentir o poder do verdadeiro amor: Magnânimo, irresistível, fascinante e desesperadamente poderoso.
Vânia Moreira Diniz