Desejo fazer uma homenagem, entre lágrimas e sorrisos, tristezas e alegrias para alguém em que pude me amparar, meu segundo pai, quando eu era pequena, sensível, mas extrovertida e vibrante. Naquele momento de minha adolescência estava perdida entre mil obrigações, vendo, sentindo, sofrendo profundamente. Foi esse homem que me deu a mão quando meu irmãozinho Cláudio estava morrendo e eu não entendia como um pequeno de apenas três anos estava sendo vítima de uma doença fatal num momento em que meus olhos não admitiam ver a claridade daqueles anos difíceis. Foi ele que nas muitas vezes em que eu cobria meus ouvidos do som de gritos de dor, vinha sempre bater à porta do meu quarto e delicadamente segurava minhas mãos e me abraçava dando-me força e apelando para minha fé. Convidava-me para acompanhá-lo numa volta de carro à Avenida Atlântica pertinho do mar que eu tanto amava para que pudesse me acalmar. E me falava da força que eu precisava ter naquele instante de tragédia e muito sofrimento. Falava de meus pais e o quanto precisavam de mim e eu perguntava muitas vezes a ele porque não curava meu irmãozinho. Dr Odilon contemplava-me com muito carinho enquanto evitava que eu visse lágrimas que desciam de seus olhos verdes e extremamente bondosos. Jamais poderei esquecer a ternura que transpassava em suas palavras e que eu agradeço profundamente. Eu tinha apenas doze anos, minhas irmãs eram bebês e meus irmãos não entendiam o espaço imenso que breve iria modificar nossa família. Até hoje em certas fases recordo-me de tudo com detalhes porque nem que eu pudesse viver duzentos anos poderia esquecer daqueles meses silenciosos e interrompidos por gritos de dor. Meu amor e carinho a esse homem maravilhoso que nunca esquecerei, que foi minha força e pôde suavizar um pouco a minha vida. Certamente está envolvido em muita luz nessa hora em que um fato especial fez-me lembrar dessa dor insuportável.
Vânia Moreira Diniz – 01/04/2025
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