Desde 01 de Março de 2022

Crianças especiais e encantadoras

Há dias foi um dia de festa e alegria. Fui visitar e participar de uma festa, numa clínica onde muitas crianças maravilhosas carregam suas síndromes as mais variadas e são tratadas e acarinhadas com amor fazendo com que cresçam com a autoestima em progressão. Desde síndrome de Down até todas as outras maiores ou menores que as tornam uma criança especial.

Entrando aproximei-me de alguém que amo especialmente. Loura, os olhos azuis esverdeados fixando ao longe um ponto indistinto, imagino que queira trazer para seu interior ainda tão infantil, esperanças e visualize o colorido da felicidade. Minha vontade é abraçá-la e pedir-lhe que nos proteja, chorando silenciosamente no seu colinho frágil e pequenino. Minha vontade é pedir-lhe fortaleza em minhas fraquezas para que possa ajudá-la. Minha vontade é infundir-lhe um calor tão grande que suas mãozinhas geralmente frias possam aquecer-se. Minha vontade é beijá-la e protegê-la do mundo e da vida, dizendo-lhe que sempre estarei aqui. Mas estaria enganando a mim e a ela. Prometo, então que de onde estiver a amarei sempre. Minha vontade é sempre vê-la sorrir invariavelmente e terei também nos lábios o sorriso úmido da esperança.

Aproximei-me de cada uma das crianças sentindo seus anseios indistintos, vontades não expressas e vigor nas investidas, que começam a manifestar-se de uma maneira singular e emocionante. E amei-as a todas. Querendo perscrutar seus mundos diferentes e me envolver com cada uma, levando ininterruptamente a fé que carrego e canalizo em direção a elas.

Em meio ao barulho dos balões e as guloseimas que usufruíam encantados, percebi o quanto de vida e alegria existiam nos rostinhos inocentes que me fixavam como a pedir que lhes desse as mãos. Transformei-me em um deles, percorrendo os meandros de seus cérebros e querendo ver na densidade semiescura dos pensamentos, a luz que estaria sempre presente no decorrer confuso da vida.

Tive a convicção da vitória, do desenvolvimento lento, mas progressivo, da alegria que transparecia, da paz que parecia projetar algo claro e objetivo, naqueles confusos caminhos da mente ainda não definida.

Sinto então uma mãozinha fria, apesar do corpo completamente agasalhado que buscava meu calor. Era a minha pequenina, tão linda sempre sonhando com aquele colorido que a encantava. Dei-lhe a mão e percorremos juntas todo o espaço, que estava cercado por barraquinhas cheias de guloseimas, ou preparado para a “pescaria” de pequenas lembranças.

Enquanto segurava–a com uma das mãos, voltei-me para pegar a mãozinha de outra criança, cujos olhos amendoados, nos traços marcantes da síndrome de Down, só ocorridos pela diferença de um cromossomo, estavam evidentes, e procurei ler dentro de seu olhar a força que carregavam. E então as pequenas pescaram com minha ajuda cada uma a sua prenda.

Vi fascinada enquanto olhavam confusas para o pequeno presente, que a vida se manifestava em cada lembrança que recebessem, com aquele olhar curioso que concentrado por um minuto, apareceu com expressão ligeiramente definida e rápida. Amei aquele instante perpassado tão rápido, que enchia meus olhos de lágrimas abundantes e os das pequeninas de lucidez.

Vânia Moreira Diniz

Compartilhar Artigo:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

RELACIONADOS

Você também pode gostar

Palavras de Ana Peluso

Há  anos recebi de minha grande amiga Ana Peluso uma crítica de um dos meus livros. Ela foi enviada nas lembranças do facebook e me