Desde 01 de Março de 2022

Ciganinha conversa com seus personagens

Vânia Moreira Diniz - Ciganinha

Ciganinha estava sentada há muito tempo escrevendo. Ela parecia esquecer o mundo quando pegava a caneta e descrevia o que sentia, o que sonhava, o que a fazia triste ou alegre e contava histórias tiradas da sua imaginação privilegiada.

Não entendia como mas parece que alguma coisa lhe falava, uma voz, figuras que enxergava e se viu finalmente num lugar amplo e cheio de flores parecendo um bosque.

Seus olhos arregalados fixavam sem acreditar aquele imenso lugar e parecia um paraíso pela beleza impressionante.
E mais para frente uma lagoa com cisnes tão brancos reunidos, ela queria gritar para entender se era real e não conseguia , suas mãos estavam de repente muito moles, seus corpinho se embalava a um ritmo suave a delicado, e ela agradecia estar num lugar de tamanha beleza.

Como chegara até ali, ela não sabia, e se perguntava se não era habitado. Não sentia fome nem sede, e parecia algo encantado.Mas iria ficar sozinha naquele lugar tão gracioso, completamente maravilhoso? Compreendeu então que nenhum encanto valia o contato com as pessoas, as brincadeiras, os gritos dos amigos e dos irmãos, a agitação das ruas, a animação das pessoas reunidas.
Foi se aproximando da lagoa e agachou-se para ver os cisnes que voaram indo para a água enquanto ela distraída olhava aquele recanto da natureza.

Estava tão longe que não vira um anãozinho que se aproximava balanceando o corpo pesado e pequeno, mas com um rosto que lembrava as gravuras de uma história que lera há pouco tempo

Quando ele falou sua voz era rouca mas ela se sentiu feliz de escutar o som confortante

-Ciganinha, o que faz aqui?

-Não sei , estava escrevendo e vim parar nesse lugar. Quem é você e como sabe meu nome?

-Sou apenas um anão encantado , saí de sua história e vim alegrar seu dia e agradecer seu pensamento.

-O que você quer dizer?
-Quero dizer que foi você que me inventou, criou a minha imagem e agora vou encantar muitas crianças iguais a você.

-Quer dizer que sou uma escritora? De verdade? Que invento figuras e personagens?

-Exatamente. De verdade! Só tem que acreditar em você mesma. Criou esse lugar e tornou-a real para muitas crianças também.

Ciganinha delirou sentindo no ar um aroma de flores, um perfume gostoso que a deixava inebriada e viu então alguns meninos e meninas que corriam em sua direção, perguntando se ela era a princesa daquele bosque.

Enquanto sorria, olhando o anãozinho que se distanciou, sentiu-se orgulhosa de ser hoje uma escritora que fizera tantas crianças lhe procurarem. Rodopiando como fazia com seus patins convidava os outros a brincarem com ela alegremente e finalmente apresentou o seu amigo. Quando todos estavam em harmonia, sentiu a babá que lhe criara se aproximando segurando seu braço e perguntando sorrindo e admirada

-O que é Ciganinha que está fazendo parada com essa caneta? Não vai escrever? Porque seus olhos estão assim brilhando tanto?

-Oh mãequina, acabei de ver minha história e pude sentir tudo que escrevi. Conversei com meus personagens. Não acredita? E enquanto mãequina se aproximava para ver se a garota estava com febre ela saiu pulando, dançando e correndo em direção ao quintal.
Tinha se tornado realmente a pequena escritora que seu avô falava…

Vânia Moreira Diniz

Compartilhar Artigo:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

RELACIONADOS

Você também pode gostar

Palavras de Ana Peluso

Há  anos recebi de minha grande amiga Ana Peluso uma crítica de um dos meus livros. Ela foi enviada nas lembranças do facebook e me